Grupo de mais de 500 golfinhos dá espetáculo na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro

Grupo de mais de 500 golfinhos dá espetáculo na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro

Pesquisadores do Laboratório de Mamíferos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Maqua-Uerj) foram surpreendidos no final de semana por um grupo gigantesco de golfinhos na baía de Guanabara, na capital fluminense.

Os cientistas estavam em um barco quando começaram a ser “escoltados” por mais de 500 golfinhos-pintados-do-Atlântico. “Nos 27 anos do Maqua-Uerj foi a primeira vez que um grupo tão grande de pintados nos acompanhou”, contaram os pesquisadores no Facebook.

golfinhos

E não bastasse o espetáculo proporcionado pelos golfinhos, algo ainda mais especial aconteceu depois – e foi registrado por um drone: o encontro dos animais com uma jubarte.

golfinhos encontraram jubarte

Os golfinhos ficaram brincando por um bom tempo com a baleia, que media cerca de 11 metros.

Nas últimas semanas, várias jubartes foram avistadas no litoral do Rio de Janeiro. Depois de deixar a Antártica, nesta época do ano, elas passam na região a caminho do Nordeste para se reproduzir por lá.

Só na última sexta-feira (12/07), os pesquisadores do Macqua encontraram dez baleias.

No começo de junho, um grupo de remadoras em uma praia do Rio de Janeiro levou um enorme susto ao se deparar com uma jubarte, saltando muito próximo a elas. O vídeo viralizou nas redes sociais.

A rica biodiversidade da Baía de Guanabara

Quando os portugueses chegaram ao Rio de Janeiro, por volta de 1500, se depararam com uma baía, que na época, foi confundida com a foz de um rio. Descobriram, logo depois, com os índios temiminós, que aquela não era uma foz, mas uma exuberante baía oceânica, cheia de vida, rica em fauna e flora.

A entrada de mar foi batizada então pelos colonizadores de Baía do Rio de Janeiro, porque o calendário marcava o primeiro mês do ano. Do tupi-guarani veio o nome pela qual ela se tornou realmente conhecida: gwa (baía, enseada),  (semelhante) e ba’ra (mar), a baía semelhante ao mar.

Durante muitos séculos, a Baía de Guanabara foi um santuário da biodiversidade dos trópicos. Seus mangues, florestas alagadas, rios e águas oceânicas eram habitat de centenas de espécies, como botos, tartarugas-marinhas, caranguejos, aves e até baleias-franca, que no passado, em sua rota migratória, faziam parada obrigatória por ali.

Todavia, anos depois, a urbanização e o crescimento desenfreado do estado do Rio de Janeiro foram responsáveis por jogar toneladas de lixo e poluição na Baía de Guanabara. Mas mesmo com toda sujeira e perda de habitat, centenas de espécies de animais ainda sobrevivem na região.

Leia mais sobre o lindo trabalho de conservação feito em duas Unidades de Conservação (UCs), remanescentes da baía original: a Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim e a Estação Ecológica de Guanabara, chamadas de Arca de Noé, nesta outra reportagem.

Fotos: reprodução TV Globo

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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