Gripe? Reforce a prevenção com camucamu

camucamu

Com muito vírus em circulação e pouca vacina para garantir a imunidade, o jeito é recorrer à biodiversidade brasileira para aumentar a proteção contra gripes e resfriados. E a melhor aliada natural do seu sistema imunológico, nessas horas, pode ser uma frutinha do tamanho de uma bola de gude, roxinha, com altíssimo teor de vitamina C e antocianinas, que atende pelos nomes comuns de camucamu, caçari ou araçá d’água (Myrciaria dubia).

Natural da Amazônia, o camucamu dá em arbustos debruçados sobre a água, na beira de igarapés e rios. Os peixes consomem os frutos e são os principais dispersores das sementes. E isso inclui o tambaqui (Colossoma macropomum), um dos peixes comerciais mais saborosos da região, justamente por se alimentar principalmente de frutas.

A área de distribuição do camucamu se concentra na Amazônia peruana. Mas se estende pelos estados do Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Maranhão, aqui no Brasil, e também pelas florestas tropicais da Bolívia, Venezuela e Guianas.

A frutificação acontece de novembro a março, portanto o mercado de polpas agora está abastecido. Alguns produtores comerciais já plantam a espécie em São Paulo e no Paraná. Também já existem extratos secos e tabletes de vitamina C, feitos de camucamu, comercializados por empresas farmacêuticas de produtos naturais. Mas o suco parece ser mais eficiente do que a vitamina C isolada, a julgar por testes conduzidos pelos especialistas em Medicina Cardiovascular e Renal, Teruo Inoue, Hiroshi Komoda, Toshihiko Ushida e Koishi Noda, da Universidade de Saga, no Japão, cujos resultados foram publicados no Journal of Cardiology, em 2008.

Os pesquisadores japoneses selecionaram 20 voluntários, todos homens, fumantes e sujeitos a alto estresse oxidativo e, portanto, com o sistema imunológico debilitado. Metade tomou, diariamente, durante uma semana, 70 ml de suco de camucamu, correspondendo a 1050 mg de vitamina C. A outra metade tomou a mesma dose de 1050 mg de vitamina C em tabletes. Em todos os casos foram controlados – via exames de urina e sangue – os marcadores de estresse oxidativo, marcadores de processos inflamatórios e níveis de interleucina. O grupo que tomou o suco natural apresentou sensível melhora, enquanto o grupo com a vitamina C em tabletes não apresentou diferenças significativas.

A conclusão dos pesquisadores é que o camucamu tem “poderosas propriedades antioxidativas e anti-inflamatórias, comparado a tabletes com quantidade equivalente de vitamina C” e tais efeitos “podem estar associados à existência de substâncias antioxidantes desconhecidas, além da vitamina C, no camucamu”.

Em outro experimento realizado no Japão, na Universidade de Gifu, o suco de camucamu também se mostrou eficiente para reduzir os efeitos hepatotóxicos (tóxicos para o fígado) de D-galactosamina. Neste caso, a substância contida na fruta identificada como principal agente foi um ácido orgânico chamado 1-metilmalato.

Vale destacar que, além de reforçar o sistema imunológico contra essas substâncias danosas e contra os ataques de vírus, como o da gripe, o ácido ascórbico (vitamina C) também circula no cérebro. E ali protege as células contra algumas doenças neurodegenerativas associadas a altos níveis de estresse oxidativo, como Alzheimer, Parkinson e acidente vascular cerebral.

Aprontem os liquidificadores, portanto! A frutinha pode ser congelada inteira e ir direto para o processador, batida com uma limonada ou apenas com água. Depois precisa ser adoçada, porque é bem azeda. Também dá para fazer sorvetes, doces e caldas, porém a fervura reduz o teor de vitamina C.

Foto: Ronaldo Rosa/Banco de Imagens da Embrapa

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

Liana John

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

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