Greta Thunberg se reúne com indígenas americanos Sioux pelo clima, participa de protestos e recebe nome de origem Lakota

A ativista sueca Greta Thunberg que criou o movimento Fridays For Futureque reúne milhares de jovens pelo mundo que, como ela, cabulam aula para cobrar ações efetivas de governos, empresas e adultos – esteve na Reserva Indígena de Standing Rock, em Fort Yates, Dakota, nos Estados Unidos, para participar de um fórum sobre mudanças climáticas.

Desde o final de agosto, Greta está no continente americano. Ela viajou de veleiro para participar da Cúpula Climática da ONU, em Nova York, de greves pelo clima, e também para conhecer iniciativas que podem contribuir para amenizar os efeitos do aquecimento global. Em sua agenda, incluiu esta visita para conhecer o povo Sioux, ouvir seus representantes e levar sua mensagem. Falou para cerca de 500 estudantes, na companhia de outra ativista climática de 16 anos: a indígena Tokata Iron Eyes, que ainda não conhecia pessoalmente, mas já admirava.

Leva lembranças muito especiais de lá.

A reportagem do site West Fargo Pioneer revelou que o curandeiro da tribo, Arvol Looking Horse (foto de destaque), abençoou as duas adolescentes, dando início a esse encontro lindo. Em seguida, homens formaram um círculo e tocaram tambores, enquanto todos os presentes se viravam lentamente para louvar as quatro direções sagradas, no ginásio da Standing Rock High School.

Hans Young Bird Bradley, da Agência de Proteção Ambiental Standing Rock, discursou para todos e disse que a tribo Sioux “não tem escolha a não ser apoiar as jovens” em sua missão de divulgar as mudanças climáticas. “Não devemos deixar isso nas costas das duas meninas”, bradou. “É muito pesado para elas. Todos nós devemos fazer a nossa parte”.

Greta declarou à multidão de estudantes indígenas que estava muito honrada por estar “neste local simbólico de resistência”Standing Rock -, onde, há três anos, milhares de indígenas e não-indígenas protestaram contra o oleoduto Dakota Access. Ele foi instalado, mas os membros da Nação Sioux não se renderam e prosseguiram com sua luta nos tribunais para tentar garantir um futuro mais justo para todos e as futuras gerações.

Foi assim que Greta conheceu Tokata Iron Eyes, uma das maiores combatentes de Standing Rock, que conquistou importantes apoios contra o oleoduto Dakota Access em 2016, por meio da campanha Rezpect Our Water.

Tornaram-se amigas e Tokata convidou Greta para visitar suas terras. O que, a princípio parecia ser sonho – já que Greta não viaja de avião – se realizou.

Visitas e protestos

No domingo, 6/10, as duas visitaram a Reserva Pine Ridge em Dakota do Sul, considera como zona de transição ecológica, com grande variedade de espécies vegetais e animais, algumas ameaçadas de extinção.

No dia seguinte, 7/10, protestaram com os Sioux contra o oleoduto gigante de Keystone XL, apoiado pelo Canadá. Esse projeto foi barrado por Obama devido ao impacto ambiental que poderia provocar, mas aprovado por Trump, em 2017. Foi barrado novamente, por um juiz federal de Montana, em novembro de 2018 -, mas, em maio deste ano, Trump voltou a tentar sua liberação por meio de “uma permissão que cancelou e substituiu as autorizações anteriores. Mas não ficou claro se o projeto deve ser submetido novamente a estudos de impacto ambiental”, revelou o site Estado de Minas.

O projeto já está em funcionamento parcial e visa conectar campos de petróleo da província canadense de Alberta ao estado de Nebraska, nos Estados Unidos, chegando às refinarias do Golfo do México. Um horror!

A ONG Lakota Law gravou vídeo com Greta e Tokata sobre a campanha Take Action To Stop KXL, que você pode assistir no final deste post.

Em seguida, as duas ativistas partiram para Standing Rock.

A mulher que veio do céu

Em sua maioria, os jovens presentes ao ginásio da Standing Rock High School revelaram-se muito animados com o encontro com Greta e Iron Eyes. “Ver duas garotas no palco deste ginásio é muito inspirador”, declarou Chante Baker, de 13 anos. “Este encontro está mostrando como o país confia na juventude”, destacou Wacantkiya Mani Win Eagle, de 17 anos, que também participou dos protestos em 2016.

Mas não foram só os estudantes que se empolgaram com a troca de ideias com as duas adolescentes. Cody Two Bears, diretor da Indigenized Energy organização sem fins lucrativos que abriu uma fazenda solar no mês passado, próxima dos protestos do Dakota Access Pipeline -, comentou: “Foram necessárias duas jovens para nos reunir. É isso é muito poderoso: fazer parte e testemunhar isso hoje”.

Iron Eyes conclamou seus colegas: “Todos precisamos de água limpa, ar limpo e um local seguro para chamar de lar. E, como povo indígena, nossa cultura e nosso modo de vida estão inerentemente ligados ao meio ambiente. Precisamos cuidar dele”.

E acrescentou: “o mundo está à beira de um precipício quanto ao tempo que temos para salvar nossas comunidades. Nenhuma garota de 16 anos deveria ter que viajar pelo mundo, compartilhando a ideia de que é precisamos de algo tão simples como água limpa e ar fresco para viver”.

Já Greta destacou que as mudanças climáticas “afetam a todos nós, agora e no futuro”. E acrescentou: “Esta é uma luta global. Isso não vai acontecer apenas no meu país, a Suécia, ou apenas aqui. Por isso, precisamos de soluções locais para esse problema global e, claro, de soluções globais também. E, nós, adolescentes, não devemos ser os responsáveis pelo que foi feito, mas, sim os que estão no poder”.

O primo de Iron Eyes, Tyrel, de 23 anos, confessou seu orgulhoso pelas duas garotas, por conseguirem reunir tanta gente que as ouve. “Elas inspiram. E, no final das contas, é disso que precisamos: que as pessoas se inspirem para fazer mudanças em suas vidas”.

Na cerimônia de encerramento do encontro, Greta foi coberta por um manta Sioux e batizada Greta por Jay Taken Alive, presidente de Standing Rock, com um nome LakotaMaphiyata echiyatan hin win, que significa “mulher que veio do céu” – e disse: “Somente alguém assim pode acordar o mundo. Nós estamos com você! Agradecemos você! Nós a amamos como parente”.

Agora, assista ao vídeo produzido pela Lakota Law, com Greta e Tokata sobre a campanha Take Action To Stop KXL:

Fotos: Jeremy Turley/Forum News Service e Tatiana Novikova/Resilience

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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