Greta Thunberg grava música com banda britânica The 1975 e convoca rebelião pelo clima

Greta Thunberg grava música com banda britânica The 1975 e convoca rebelião pelo clima

Capa da revista Time, indicada ao Prêmio Nobel da Paz, “Mulher do Ano” pelo jornal sueco Expressen e Embaixadora da Consciência da Anistia Internacional.

Esses são alguns dos feitos da jovem ativista sueca Greta Thunberg nos últimos meses. A adolescente de 16 anos lidera o movimento Fridays for Future (Sextas pelo Futuro), ao lado de milhões de jovens do mundo inteiro, que se inspiraram nela para protestar contra a inação de governos para combater as mudanças climáticas.

A jovem que não se intimida perante líderes globais – na semana passada, falou no parlamento francês, driblou os deputados conservadores e enviou mensagem para os jovens brasileiros -, acaba de gravar uma música junto com a banda britânica The 1975.

Sobre um fundo instrumental, Greta fala sobre a crise climática e conclama jovens a participar de uma “desobediência civil”. “É hora de nos rebelarmos”, diz. A faixa faz parte do próximo álbum do grupo, Notes on a Conditional Form, que será lançado em agosto.

Abaixo alguns trechos da música:

“Estamos agora no início de uma crise climática e ecológica. E precisamos chamá-la da maneira correta: é uma emergência…

Hoje usamos cerca de 100 milhões de barris de petróleo todos os dias. Não há política para mudar isso. Não há regras para manter esse petróleo no solo, então não podemos mais salvar o mundo jogando com as regras, porque as regras precisam ser mudadas, tudo precisa mudar e tem que começar hoje”.

Todo o dinheiro arrecadado com a faixa será doado para o movimento Extinction Rebellion, que tem tomado conta das principais ruas e centros turísticos da capital inglesa, em manifestos contra a crise climática.

Greta Thunberg: inspirando o mundo

Em agosto de 2018, Greta decidiu fazer uma greve solitária em frente ao parlamento sueco, em Estocolmo, sempre às sextas-feiras. Seu protesto era pelo clima. Ela argumentava que seu país precisava fazer mais. O último verão tinha sido o mais quente da Suécia, com incêndios florestais e os termômetros alcançando temperaturas que não eram registradas há 262 anos.

Para a menina, que sempre usa tranças no cabelo, ela tem uma responsabilidade moral em ser uma ativista pelo clima. E não é da boca para a fora. Desde que começou a se interessar pelo tema, ainda com 9 anos, Greta se tornou vegetariana e se nega a comprar qualquer coisa que não seja absolutamente necessária. A família instalou painéis solares em casa, tem sua própria horta e um carro elétrico, que sai da garagem apenas quando é extremamente indispensável. Em outras ocasiões, o meio de transporte preferido é a bicicleta.

Greta, assim como a irmã, é autista. Ambas foram diagnosticadas com a síndrome de Asperger, uma forma mais branda do transtorno. O que faz de seu comportamento e de sua luta algo ainda mais inspirador, pois as pessoas com esta síndrome podem ter dificuldade em se comunicar e interagir com outras pessoas.

Mas a jovem sueca prova que tem o poder da comunicação. E fala com propriedade. Ela foi uma das palestrantes na Conferência das Nações Unidas para o Clima, a COP24, realizada na Polônia, no ano passado, e também esteve na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Em fevereiro de 2019, ela conseguiu a garantia da União Europeia de investimento de US$ 1 trilhão no clima.

“Temos que proteger a biosfera, os seres vivos, os oceanos, o solo e as florestas. Isso pode parecer ingenuidade, mas se vocês (políticos) tivessem feito sua lição de casa, saberiam que não temos outra escolha. Precisamos focar nas mudanças climáticas. Porque se falharmos em combatê-la, todas nossas conquistas e progressos não valerão nada. E o que restará de legado de nossos líderes políticos será o maior fracasso da humanidade ”, disse perante a Comissão Europeia.

Leia também:
Greta Thunberg, líder da greve mundial de estudantes pelo clima, doa prêmio de mais de R$ 100 mil para ONGs
Jovens ativistas pelo clima recebem doação de U$ 600 mil e promessa de outros milhões de fundo americano
Leonardo DiCaprio e dois filantropos bilionários criam aliança para combater crise climática e perda da biodiversidade

Fotos: reprodução internet

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta