Greta Thunberg é indicada novamente ao Nobel da Paz

Greta Thunberg

“Dêem o Prêmio Nobel da Paz a Greta e ao #FridaysForFuture“. É dessa maneira que os parlamentares suecos Jens Holm e Håkan Svenneling começaram sua carta para o comitê responsável pelas nomeações e a escolha dos vencedores.

Pelo segundo ano consecutivo, a jovem ativista, que em 2019 ganhou a atenção do mundo inteiro por se posicionar contra a inação de governos para combater a crise climática e com isso, inspirou milhões de jovens a irem para as ruas protestar através do movimento que criou, o #FridaysForFuture, é indicada ao prêmio.

No ano passado, conforme mostramos nesta outra reportagem, outro político de seu país, Freddy André Øvstegård, inscreveu sua candidatura.

As indicações ao prêmio podem ser feitas por algumas pessoas específicas, membros de alguns órgãos e entidades, parlamentares, professores universitários, acadêmicos e ex-recebedores do Nobel, mas a lista completa com o nome dos nomeados é sempre mantida em segredo por 50 anos. O prazo para o envio dos nomes é 31 de janeiro.

Holm e Svenneling divulgaram na internet o conteúdo do texto que mandaram ao comitê:

“Greta Thunberg é uma ativista climática, e a principal razão pela qual ela merece o Prêmio Nobel da Paz é que, apesar da tenra idade, ela trabalhou duro para fazer os políticos abrirem os olhos para a crise climática.

#FridaysForFuture é o movimento que foi construído em torno de Greta Thunberg. Sem ele e Greta, a questão climática não estaria na agenda da maneira que está hoje.

Não há outro desafio que seja tão importante quanto solucionar a crise climática e o que precisamos agora é focar em como podemos resolvê-la. A crise climática produzirá novos conflitos e, finalmente, guerras. A ação para reduzir nossas emissões e cumprir o Acordo de Paris também é, portanto, um ato de paz.


Na cúpula do clima, COP25, em Madri, em dezembro passado, Greta disse o seguinte:


“Nossos líderes não estão se comportando como se estivéssemos em uma emergência. Em caso de emergência, você muda seu comportamento. Se houver uma criança parada no meio da estrada e os carros chegarem a toda velocidade, você não desviará o olhar porque se sente desconfortável. Você imediatamente sai correndo e resgata aquela criança”.


Greta tem 17 anos e, apesar de ainda criança, ela nos mostra que todos podem fazer a diferença. É apenas uma questão de coragem e força de vontade. Ela e o #FridaysForFuture protestam fora dos parlamentos e em outros lugares, toda sexta-feira, e no mundo todo. Eles fizeram o mundo abrir os olhos e ver a realidade.
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A greve global, na sexta-feira 29 de setembro de 2019, foi a maior manifestação climática de todos os tempos, com mais de 6 mil eventos em 185 países e cerca de 7 milhões de participantes. Em muitos lugares, o protesto foi a maior manifestação internacional desde o final da Segunda Guerra Mundial. Greta Thunberg e o #FridaysForFuture criaram o momento público necessário para uma ação política adequada para solucionar a crise climática.

Por isso, eles merecem o Prêmio Nobel da Paz“.

Nobel da Paz 2019

No ano passado, Greta e o líder indígena brasileiro Raoni estavam entre os nomes que acreditava-se terem as maiores chances para conquistar o título. Mas ele acabou sendo dado ao primeiro-ministro da Etiópia. Abiy Ahmed Ali foi decisivo para fechar um acordo de paz com a vizinha Eritreia e dar fim a um conflito que se arrastava há mais de 20 anos e deixou 80 mil mortos.

Agora, em 2020, a candidatura de Raoni foi feita pelo Instituto Darcy Ribeiro. Este ano, ele completa 90 anos, boa parte deles dedicada à luta em defesa dos povos indígenas, de suas terras e da Amazônia (leia mais aqui).

Até hoje, a pessoa mais jovem a receber um Prêmio Nobel da Paz, foi outra ativista, Malala Yousafzai, em 2014. A paquistanesa, que quase foi morta pelo grupo terrorista Talibã, luta pelo direito à educação das meninas.

O vencedor do Prêmio Nobel da Paz, assim como das demais categorias, será anunciado em dezembro.

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Foto: reprodução Facebook Greta Thunberg

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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