Grandes empresas de São Francisco pagarão imposto para financiar programas de ajuda a moradores de rua


Grandes empresas de São Francisco pagarão imposto para financiar programas de ajuda a moradores de rua

Os eleitores de São Francisco, no estado americano da Califórnia, votaram “sim” na semana passada para uma lei que aumenta os impostos de grandes empresas. O dinheiro será revertido para programas de auxílio a moradores de rua. Estima-se que atualmente mais de 7 mil pessoas não tenham onde viver na cidade.

Os idealizadores do projeto, Coalition on Homelessness, alegam que a enxurrada de companhias de tecnologia que migraram para a região inflacionaram o valor dos imóveis. Como os executivos que trabalham nessas empresas ganham muitíssimo bem, o mercado decidiu jogar o preço de aluguel e venda de casas e apartamentos nas alturas. Com isso, as pessoas mais pobres não têm condições de arcar com os custos de moradia e o número de moradores de rua aumentou significativamente.

A campanha para que a lei fosse aprovada foi polêmica. Sobretudo, nas redes sociais, onde muitos bilionários do Vale do Silício falaram abertamente sobre suas opiniões. De um lado, empresas do setor que criticavam a medida, de outro, muitas que apoiavam. Jack Dorsey, CEO do Twitter e da Square, investiu US$ 125 mil contra a iniciativa, por exemplo.

Mas como em regimes democráticos, o poder está na mão do eleitor, a nova lei saiu vitoriosa das urnas. De cada cinco eleitores, três disseram “sim” a ela. Ou seja, a “proposição C”, como foi chamada, ganhou com 60% dos votos.

“O que fazemos tem importância e podemos melhorar o mundo”, afirmou Marc Benioff, CEO da Salesforce, que doou milhões de dólares em apoio à campanha e disse que era uma questão de responsabilidade moral. “Não podemos simplesmente ser parte do problema”.

O valor do imposto ficará em torno de 0,175% a 0,69% para empresas e startups que tenham um lucro bruto anual de mais de US$ 50 milhões. Companhias de serviços financeiros pagarão ainda mais.

O dinheiro será revertido para programas de assistência social, construção de mais albergues, tratamentos de saúde, dentre outros. A expectativa é que a nova legislação gere em torno de US$ 300 milhões por ano.

“É simplesmente inaceitável. Não podemos ter de um lado a cidade mais próspera e bem sucedida do mundo e de outro lado, uma crise humanitária de proporções épicas”, ressaltou Benioff.

*Com informações do The New York Times https://www.nytimes.com/2018/11/07/technology/san-francisco-business-tax-homeless.html

Leia também:
Em dois anos, Lisboa reduz pela metade a presença dos moradores de rua, com programas alternativos
Banho e dignidade para moradores de rua da Califórnia e da Bahia
Estudantes ganham prêmio por projeto social usando tijolos ecológicos

Foto: domínio público/pixabay

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Deixe uma resposta