Grande rede de pet shops anuncia que só terá cães e gatos para adoção. Não vai mais vendê-los!

Essa linda decisão foi tomada pela direção da rede de pet shops Petz, uma das maiores do país, após a autuação e o fechamento de um de seus fornecedores, o Canil Céu Azul, localizado em Piedade, interior de São Paulo, denunciado por maus tratos. Ele abrigava mais de 1.700 animais de raça, a maior parte em precárias condições de saúde: doentes, sem dentes e cegos. E ainda mantinha incinerador sem autorização para fazer cremações.

Tudo irregular e desumano, confirmado pela Polícia Ambiental, que confiscou os animais e, rapidamente, acionou a ativista vegana Luísa Mell, (que estava celebrando o aniversário do filho) para acompanhar a ação e ajudar a dar um destino decente para eles. Para isso, ela precisava de um termo de doação assinado pela proprietária do canil, Nena Miyazaki Kubaiassi.

Mas, para tirar os bichos do canil, Luisa precisou de apoio de muita gente, não só pela quantidade de animais a serem transportados – foram cinco dias de trabalho!!! -, mas também porque seu abrigo estava lotado. A verdade é que a ativista assumiu uma missão quase impossível, por isso, fez um apelo emocionado em seu Instagram, para contar com ajuda financeira de seus seguidores.

“No meio da festa do Enzo, recebi uma ligação: “Alô Luisa? Aqui é o Coronel da Polícia Ambiental! Fizemos uma apreensão em um canil … são 1.500 animais precisando de resgate! Vc pode ajudar?” Entrei em pânico… MIL e Quinhentos cachorros de uma vez?!????? 😱😱😱 Meu abrigo está lotado… Minha equipe foi para o local imediatamente… qd me mandaram as imagens de cães vivendo em gaiolas… percebi que não tinha escolha… estamos aqui realizando o maior resgate já feito pelo Instituto e qualquer outra Ong de que temos notícia. Alugamos dois galpões para este momento de emergência! Preciso muito da ajuda de vcs!!! Amigos não me abandonem! Eu estou com o coração despedaçado de ver tanto sofrimento… mas também estou desesperada com o que acabei de assumir! Me ajudem!! 🙏🙏🙏”. Abaixo, a imagem que ilustrou o apelo de Luisa.

Se preciso for, essa moça vira o mundo de cabeça pra baixo para proteger os animais. Por isso é tão querida e uma referência até para a Polícia Ambiental. Se vocé ama os bichos, acompanhem a Luisa Mell nas redes sociais – Instagram (que eu adoro; vejo todo dia) e Facebook – porque ela é realmente muito incrível.

Além do apoio em dinheiro para cobrir o aluguel de dois galpões, era preciso resolver o transporte. Para levar os animais, não bastavam carros. Já imaginou deslocar 1.700 cães e gatos? Era preciso contar com ônibus, que foram doados por duas companhias – a Cometa e a ClickBus. Além disso, pessoas comovidas com a notícia ofertaram caixas de transporte para que todos fossem levados com conforto e segurança.

Abaixo, imagem publicada no Instagram de Luisa Mell mostra as condições em que viviam os animais no canil e os voluntários assim que o trabalho de resgate terminou.

Por conta de toda essa movimentação, da comoção que causou e da responsabilidade que entendeu ter nesse tipo de negócio clandestino, a direção da rede Petz tomou a decisão de não vender mais cães e gatos em suas lojas, divulgando a seguinte nota em 19/2: “O grupo Petz decidiu não vender mais filhotes em suas 82 lojas em todo o país. A partir de agora, a rede de pet shops só terá cães e gatos para adoção em parceria com ONGs do projeto Adote Petz“.

E olha só que bacana: os animais que ainda estão à venda nas lojas não serão recolhidos, mas o dinheiro obtido com sua comercialização será destinado a ONGs de proteção animal. Depois de liberado, o espaço ocupado pelos filhotes até agora será destinado a ONGs e protetores de animais para que promovam encontros para adoção de cães e gatos. Super exemplo para outras lojas que atuam nesse “mercado”.

Mas, passada a emoção dessa notícia, resta saber se a rede controla sua cadeia de fornecedores. Será que não acompanha o que fazem e como são suas instalações? Como não sabia que o canil Céu Azul era assim?

Empresas que almejam ser sustentáveis, precisam se responsabilizar por toda cadeia produtiva e de fornecedores. Essa é uma das condições para se obter selos de certificação em alguns segmentos. Neste caso, esse selo não existe, mas seja qual for a área de atuação, na verdade, nenhuma empresa precisaria do incentivos desse tipo para agir de forma idônea e com responsabilidade.

Sergio Zimermann, presidente da Petz gravou vídeo, que publicou nas redes sociais, no qual contou que a denúncia abalou a empresa, mas que o processo de aquisição de animais sempre foi seguro. Ou quase. “Isso nos abalou muito. Ao nos perguntarmos sobre a possibilidade desse tipo de episódio vir a se repetir, chegamos à conclusão que o nosso processo era 99% seguro. Ocorre que 99% não são 100%. E se há a menor possibilidade de isso acontecer de novo, então não serve”.

FORA DA LEI E SEM COMPAIXÃO

As investigações começaram com uma denúncia anônima feita à Polícia Ambiental sobre a situação absolutamente irregular do canil Céu Azul, que funcionava num sítio na zona rural de Piedade. A Policia Ambiental, então, enviou uma equipe de fiscalização para flagrar o local e averiguar a veracidade da denúncia. Isso aconteceu em 13/2. Luísa Mell acompanhou a ação.

Infelizmente, tudo foi confirmado: o canil funcionava na clandestinidade – sem alvará e sem recolher impostos -, suas instalações eram inadequadas, faltava higiene e tratamento veterinário para os animais, entre outras constatações. E a polícia decretou o fechamento do canil, por meio de um pedido encaminhado à prefeitura, que acionou a Vigilância Sanitária para lavrar auto de infração e a interdição do local.

Os animais mal tratados foram retirados do canil no fim de semana e transferidos para abrigos que integram o Instituto Luísa Mel. 

Logo que assinou o termo de adoção, a proprietária do canil ainda tentou evitar a retirada dos animais. Recorreu da decisão da Justiça, entrando com mandado de segurança, mas seu pedido foi negado.

Mas não parou por aí. Em seu Instragram, Luísa denunciou a tentativa de pessoas do canil de roubar os cães e gatos, já sob sua proteção.

A ação contra Nena Miyazaki Kubaiassi ainda deve ter outros desdobramentos, mas, por ora, uma das penas para os crimes cometidos por ela é o pagamento de multa de R$ 3 mil reais por cada animal encontrado em seu canil.

Tomara que este seja o primeiro de muitos casos com final feliz. Chega de comercializar animais, de criar raças raras – muitas vezes cheias de deficiências -, de tratar os bichos como mercadoria! Isso acontece não só no âmbito domestico – com cães, gatos, aves, coelhos, cobaias… -, mas também com animais silvestres. 

A proliferação de cães e gatos pelas cidades é um problema urbano e de saúde que precisa ser resolvido. Não matando esses animais, mas, sim, evitando que se proliferem. Este é um trabalho amplo, de toda sociedade, mas enquanto não é levado a sério, obter um lar para os que vivem nas ruas e nas rodovias perambulando sem destino e vivendo de forma miserável é uma solução. Adote! 

A rede Petz lançou essa campanha pela adoção de animais e nunca mais vai comercializá-los. Que tal outras redes seguirem o exemplo? Que tal você, leitor, propor a pet shops que façam o mesmo? Esta é uma forma simples e muito eficiente de ativismo. Se você estava procurando algo com sentido para fazer e ama os animais, pode começar por esta ideia.

Fotos: FreePhotos/Pixabay e Reprodução do vídeo da TV Tem (foto de destaque)

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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