Grand Challenges Explorations abre inscrições para projetos inovadores em saúde. Até 3/5!

Por Maria Fernanda Ziegler

As inscrições para a 18a. edição do programa Grand Challenges Explorations (GCE), oferecido pela Fundação Bill & Melinda Gates vão até 3 de maio! Trata-se de uma “oportunidade de ouro” para pesquisadores brasileiros que podem encaminhar suas propostas para concorrer à subvenção inicial de US$ 100 mil. Se o projeto for bem-sucedido, é possível obter financiamento adicional de até US$ 1 milhão.

Nesta rodada do GCE, os desafios devem abordar temas como tecnologias para mudança comportamental em saúde materna, neonatal e infantil; novas abordagens para imunizações de rotina em ambientes com poucos recursos; inovações para sistemas integrados de diagnósticos; sistemas de saúde mais fortalecidos com cadeias de suprimentos mais efetivas.

Os candidatos podem enviar projetos, bastando descrever a ideia em inglês em um documento de duas páginas. Não é necessário anexar currículo, referências, nem resultados prévios. A seleção é baseada exclusivamente na qualidade da proposta, que deve ser inovadora, e no potencial para resolver grandes desafios globais.

No Brasil, a Fundação Bill e Melinda Gates tem parceria com 20 Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs), o que garante um aporte adicional de US$ 50 mil a US$ 100 mil a pesquisadores desses 19 estados e do Distrito Federal que tiverem as ideias selecionadas pelo programa.

“É um programa com grande visibilidade internacional e importância para a saúde e o desenvolvimento global. A Fundação Bill Gates recebe e analisa as propostas de projetos e, caso haja dentre as aprovadas propostas coordenadas por pesquisadores dos estados brasileiros participantes do acordo de cooperação científica com a Fundação Gates, a FAP é informada para que possa prosseguir com o financiamento adicional, seguindo suas próprias normas e disponibilidade financeira”, disse Simone Godoi, gerente de área científica – Ciências da Saúde, da Diretoria Científica da FAPESP.

Mais de 2 mil projetos em 87 países já foram financiados, 36 deles no Brasil. Um dos projetos visa testar dois tipos de autópsia minimamente invasiva por ultrassom e tomografia.

O projeto, liderado por Paulo Saldiva, professor titular do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da universidade, está testando e comparando as duas técnicas com a necropsia padrão ouro – que é o procedimento invasivo tradicional realizado no Instituto Médico Legal – e com o questionário conhecido como autópsia verbal.

Caso se comprove a eficácia e viabilidade das autópsias feitas por ultrassom e por tomografia será possível aumentar o conhecimento sobre diversas doenças.

“Há muitas informações na morte. Saber o que causou o óbito é essencial para identificar antecipadamente novas epidemias, ter maior entendimento sobre a biologia de doenças crônicas, do sistema nervoso, Alzheimer, esquizofrenia, obesidade e também avaliar a qualidade da assistência hospitalar pública e privada”, disse Saldiva.

Atualmente, cerca de 70% do total de mortes no mundo não têm atribuição de uma causa objetiva. Elas acabam recebendo classificações genéricas como parada cardíaca, falência múltipla dos órgãos, que geralmente são condições fisiológicas e não causa.

No Brasil, não é diferente e a obrigatoriedade de autópsia só vale para casos de homicídio e acidentes. Nos demais casos, a decisão sobre sua realização fica a cargo da família, que geralmente não faz o pedido por considerar desrespeitoso, demorado e mais um sofrimento para os parentes.

As autópsias em teste têm duração de 10 minutos, tempo muito menor que os quase três dias de uma autópsia padrão. Fora isso, o ultrassom portátil possibilita que a investigação seja feita fora dos hospitais, em locais remotos e em situações de epidemias e surtos.

“Com a tomografia, qualquer sala de UTI se torna um local adequado para uma autópsia minimamente invasiva. O ultrassom amplia essa possibilidade para fora do hospital. Com a ajuda de um smartphone acoplado aos aparelhos, pode-se transmitir as imagens aos centros de referência, que contribuirão com as análises”, disse Saldiva.

Agora, o projeto está em fase de comparar equipamentos e desenvolver metodologia. “Já fizemos 500 autópsias com tomografia. Estamos estudando muitas doenças do pensamento, como ansiedade e depressão”, disse.

Saldiva destaca que o Grand Challenges Explorations é bastante competitivo e ajuda a colocar a pesquisa científica do Brasil em um contexto global.

“A sala de autópsia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo é o maior serviço de autópsia médica do mundo, com cerca de 15 mil autópsias por ano. Por conta disso, é fundamental desenvolver novos e avançados métodos de investigação de doenças em grande volume”, disse.

Informações mais detalhadas sobre o programa podem ser obtidas no site do programa Grand Challenges Explorations.

https://grandchallenges.org/#/map

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