Governo nomeia comerciante ‘Juninho do Artesanato’ para chefiar Parque Nacional do Caparaó

Governo nomeia comerciante ‘Juninho do Artesanato’ para chefiar Parque Nacional do Caparaó

Durante sua campanha, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que em seu governo não haveria indicações políticas de cargos, mas somente escolhas técnicas.

Mês a mês, a promessa vem por terra. E na área ambiental, a nomeação de pessoas completamente despreparadas para a função, coloca em sério risco a preservação das florestas e da biodiversidade do Brasil – algumas de nossas maiores riquezas.

Na segunda-feira (15/07), foi publicado no Diário Oficial da União a troca de de chefia do Parque Nacional do Caparaó, Unidade de Conservação (UC), localizada na divisa dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

Homero Cerqueira, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão do ministério do Meio Ambiente, que administra todas as UCs do país, exonerou Cristhophe Balmant, analista ambiental, e nomeou o comerciante Dalmes Dutra Cardoso Júnior para o comando do parque.

Balmant estava há apenas três meses no cargo. Nos últimos meses, vários profissionais pediram demissão ou foram exonerados do ICMBio*.

Cardoso Júnior é conhecido na região onde vive como ‘Juninho do Artesanato’. Filiado ao Democratas (DEM), foi candidato à vice-prefeito em 2016, mas não foi eleito.

O Parque Nacional do Caparaó é um dos destinos mais procurados por montanhistas brasileiros. Ali está o terceiro ponto mais alto do país, o Pico da Bandeira, com 2.892 metros de altitude. Além dele, estão nessa Unidade de Conservação cinco dos dez picos mais altos de todo o território nacional. Há ainda uma série de cachoeiras e diversas outras atrações naturais.

Com quase 32 mil hectares de extensão, o parque é uma das mais representativas áreas de preservação de Mata Atlântica do Espírito Santo.

Por isso mesmo, é tão importante que alguém qualificado seja responsável pela sua gestão. Não parece o caso de Cardoso Júnior, indicado ao cargo no troca-troca de favores políticos.

E pelo jeito esse absurdo vai se tornar rotina. Há poucos dias, uma jovem fazendeira, sem experiência alguma na área ambiental, também foi nomeada para chefiar uma das unidades de conservação mais importantes do país

O ministro Ricardo Salles atendeu pedido um pedido do deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). A engenheira de 25 anos, herdeira de produtores de arroz e soja, comandará o Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no Rio Grande do Sul.

O parque é um berçário de diversas espécies marinhas, entre elas, camarão-rosa, tainha e linguado, e atrai um sem número de aves, algumas ameaçadas de extinção, que encontram ali refúgio e alimento, durante sua rota de migração. Sua importância é tanta, que em 1999, foi considerado Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

Como já afirmei em post anterior, no “toma lá da cá” do atual governo com a bancada ruralista, a preservação de uma das nossas maiores riquezas – nossas florestas, nossa biodiversidade e a vida selvagem -, fica cada vez mais fragilizada e na mão daqueles que pouco (ou nada) estão interessados em sua conservação.

*Sete meses após assumir o comando do Meio Ambiente, Ricardo Salles ainda não indicou nomes para diversos cargos importantes da pasta. No site do ministério, a palavra ‘cargo vago’ aparece em diversas posições chaves, como na Diretoria do Departamento de Qualidade Ambiental e Gestão de Resíduos, Diretoria Departamento de Desenvolvimento Sustentável,  Diretoria do Departamento de Conservação e Manejo de Espécies, Diretoria do Departamento de Conservação de Ecossistemas e Secretaria de Florestas e Desenvolvimento Sustentável.

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*Com informações do portal G1 de notícias e do site do ICMBio

Foto: Gilcimar Soares Liberato/Wikimedia/Creative Commons

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Governo nomeia comerciante ‘Juninho do Artesanato’ para chefiar Parque Nacional do Caparaó

  • 17 de julho de 2019 em 3:47 PM
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    Bando de abutres, será mesmo verdade que vcs estão preocupados com tudo isso, TENHO ABSOLUTA CERTEZA QUE NENHUM RESPONSÁVEL DE PRIMEIRO ESCALÃO CONHECE AS ÁREAS DESCRITAS PARA SER DE SUA RESPONSABILIDADE, deixem de ser HIPÓCRITAS!

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