Governo congela decreto que extingue reserva na Amazônia para debater com a sociedade. Agora?

Temer acaba com reserva, entre o Pará e o Amapá, onde ficam nove áreas protegidas
Que semana movimentada! E a Amazônia no foco das notícias por conta do decreto publicado pelo governo em 23/8, que extingue a Reserva Nacional do Cobre (Renca), onde ficam nove áreas protegidas.

Nem uma semana depois, ele revogou o decreto para lançar outro com ‘regras mais claras’ e também para garantir proteção às áreas de conservação e povos indígenas. A impressão que deu, de cara, foi que a medida visava acalmar os ânimos dos ambientalistas e da sociedade, que começou a se manifestar. Uma armação, em resumo.

Em seguida, a Justiça Federal suspendeu os atos do decreto por entender – com base em argumentos de uma ação popular – que o decreto não respeita o sistema de proteção ambiental do país. Tão simples de entender isso, mas antes tarde do que mais tarde.

E, ontem, 31/8, o Ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho – integrante da comitiva de Temer na visita à China – anunciou que o governo voltou atrás e congelou o decreto por 120 dias. Para que? Para rever detalhes e debater alternativas de proteção – dos 47 mil km!! – da reserva com a sociedade. Ele disse que, ‘em breve’, publicará portaria ministerial para detalhar a paralisação e o processo de debate e que o período definido é suficiente para apresentar conclusões.

Agora o governo quer conversar? Depois de se comprometer com os canadenses cinco meses antes de comunicar os brasileiros, via decreto, sobre sua decisão de extinguir a reserva. Ou seja, sem se importar em ouvir a sociedade? Pois, então, não dá pra acreditar nessa intenção, agora. Querem ganhar tempo, isso sim.

Temer e o referido ministro estão, certamente, preocupados com a repercussão nacional e internacional do fato. Mexeram com a Amazônia, que talvez seja – ou esteja se tornando – a única riqueza que os brasileiros conhecem (mesmo que seja só de ouvir falar), assimilam, procuram compreender e não querem ver na mão de estrangeiros. Imagina!

Acredito que a maior parte dos brasileiros e mesmo de quem está se manifestando contra a medida, não entenda muito bem a magnitude da floresta, nem a importância de sua preservação. E, por isso, a maioria está atuando nas redes e, em alguns casos, acompanhando suas personalidades do coração, como Gisele Bundchen, entre outros. Mas este ativismo de sofá é super válido e importante neste processo, como bem explicou Renato Guimarães, em seu post de estreia no blog Ideias que Movem, aqui no Conexão Planeta.

O importante é continuar atuando, se manifestando e espalhando informações sobre a importância de se preservar o meio ambiente – seja em que bioma for já que os demais correm grandes riscos também, não esqueçamos disso! Que esta mobilização vire uma onda de Todos pela Amazônia, com ou sem hashtag. Nossa resposta a qualquer negociação que o governo queira propor é não! Ninguém mexe com a Amazônia!

Fonte: O Globo, UOL Notícia, Agência Brasil

Foto: Estação Ecológica do Jari © WWF-Brasil/Zig Koch

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Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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