Governo Bolsonaro libera mais 42 agrotóxicos: agora são 239 novos venenos em apenas seis meses!!

A sanha do Ministério da Agricultura, para envenenar cada vez mais a mesa dos brasileiros, continua. Foi um tal de bater recorde nestes seis meses de governo Bolsonaro… Em janeiro, assim que ele assumiu a presidência, foram liberados 28 agrotóxicos. Em 47 dias de gestão, eram 54 no total. Em abril, mais um recorde: 31 novos venenos. Em maio, o Ministério manteve a quantidade e chegamos a 197 venenos, sendo 28 com registros concedidos em 2018, mas só formalizados em janeiro deste ano, por isso figuram da lista de 2019.

E hoje, 24 de junho, o Diário Oficial da União publicou a liberação de mais 42 agrotóxicos, resultando me mais um recorde: 239 novos pesticidas prontos ou que resultarão em novos produtos no mercado brasileiro, em quase seis meses. O Robotox, da Agência Pública, estava atento e registrou a façanha (abaixo) e ainda comentou que, no Brasil, agora, são 2305 agrotóxicos comercializados no Brasil.

De acordo com o Ministério da Agricultura, a maioria das substâncias segue formulas já existentes – são genéricos -, visando a concorrência e baratear custos. Mas, entre as novidades, está um principio ativo inédito no Brasil, que nunca foi testado na União Europeia tal o grau de toxicidade detectado. O Florpirauxifen-benzil está proibido na Europa, mas foi liberado aqui, com o aval da ministra Tereza Cristina, conhecida como “a musa do veneno”. E ele não está sozinho: entre os novos registros há outros venenos banidos no continente europeu e vários denominados pelo próprio governo como “muito perigosos para o meio ambiente”. Cerca de 30% de todos os agrotóxicos liberados este ano foram banidos no velho continente.

Por tudo isso, podemos dizer que nunca na história do nosso país se viu algo dessa magnitude. Lembremos que, em abril, após negar liberação desenfreada em audiência no Congresso para tratar do tema, a ministra liberou mais de 30 novos registros. Com muita cara de pau, alegou que governos anteriores barravam tais registros por questões ideológicas e, que agora, estão sendo avaliados critérios técnicos, por isso a liberação pode parecer mais rápida.

Em entrevista ao Globo, Marina Lacôrte, engenheira agrônoma e porta-voz da ONG Greenpeace, ressaltou que a regulamentação dos agrotóxicos autorizados este ano não leva em conta bases cientificas. “Há muitas combinações novas, que podem ter efeitos diferentes e que ainda não foram estudadas. A patente é quebrada e outras indústrias passam a produzir”, explica. E ainda há produtos que serão descontinuados por sua toxicidade (na avaliação do governo), mas foram liberados com novas marcas, agora.

Falta de visão de futuro

E mais más noticias virão em breve. Há mais 440 pedidos de registro de pesticidas que já foram liberados pelo governo, mas ainda têm que passar por uma etapa burocrática para serem liberados definitivamente.

O que é mais incrível é a falta de visão de futuro dos integrantes do Ministério da Agricultura, principalmente da ministra, que é fazendeira. A longo prazo, o uso excessivo de venenos pode inviabilizar a produção já que detona o solo e a água.

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Fontes: Anvisa, Diário, Ministério da Agricultura, Por Trás dos Alimentos (A Pública/Repórter Brasil), O Globo, El País

Imagem: 342 Amazônia

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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