Golfinhos voltam a nadar e se reproduzir em rio símbolo dos Estados Unidos, 50 anos após sua limpeza e recuperação

Golfinhos voltam a nadar e se reproduzir em rio símbolo dos Estados Unidos, 50 anos após sua limpeza e recuperação

Quando leio notícias e histórias como esta, uma ponta de esperança surge em meu coração, que algum dia, poderei escrever algo parecido sobre o rio Pinheiros ou o Tietê, em São Paulo.

Com 616 km de extensão, o rio Potomac é o principal e o mais famoso da capital americana, Washington D.C, e responsável pelo seu abastecimento. Ele atravessa os estados de Maryland, Virgínia e West Virgínia, e desagua na baía de Chesapeake.

Historiadores contam que, quando o ex-presidente George Washington, por volta de 1758, construiu sua casa, ao longo do Potomac, golfinhos podiam ser facilmente avistados em suas águas.

Mas assim como em outras grandes cidades do mundo, que negligenciaram seus rios e os usaram como lixeiras, o mesmo aconteceu nos Estados Unidos. Em 1960, o Potomac estava cheio de algas, resíduos e poluentes. Com isso, não foram apenas os golfinhos que desapareceram. A águia símbolo americana, a bald eagle, também sumiu dali. A recomendação é que as crianças não deveriam tocar naquelas “águas tóxicas”.

Entretanto, há pouco mais de 50 anos, outro presidente, Lyndon Johnson, marcaria a história do Potomac, ao declarar que ele era uma “vergonha nacional”.

Após um longo processo, que durou décadas, de limpeza e restauração, o rio recuperou sua vida. E agora, os animais voltaram. As águias podem ser vistas novamente, assim como os golfinhos. E para alegria de biólogos, há poucos meses, foi descoberto que esses cetáceos não apenas retornaram ao Potomac, mas estão se reproduzindo nele.

Pesquisadores conseguiram flagrar o nascimento de um deles. Dois estudantes da Universidade Georgetown, envolvidos em um projeto de monitoramento, estavam seguindo um grupo de cerca de 50 golfinhos no rio Potomac, em Virgínia, quando notaram uma mancha de sangue e logo depois, um pequeno filhote, com uma “barbatana levemente dobrada e vacilante”, vindo à tona e nadando ao lado da mãe.

No nascimento, as barbatanas dos filhotes nascem ‘moles’, mas depois de poucas horas, se endireitam e ficam retas.

Estima-se que vivam hoje no Potomac mais de mil golfinhos. Em 2015, eram somente 200. Certamente, há muito a ser celebrado.

Golfinhos voltam a nadar e se reproduzir em rio símbolo dos Estados Unidos, 50 anos após sua limpeza e recuperação

O filhote, com sua pequena barbatana, nadando ao lado da mãe

*Com informações da Smithsonian Magazine, Potomac Conservancy, Potomac-Chesapeake Dolphin Project e Georgetown University

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Foto: Potomac-Chesapeake Dolphin Project

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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