Golfinho morre por causa de tira de sandália presa em focinho

Golfinho morre por causa de tira de sandália presa em focinho

Mais um tragédia causada pelo despejo de lixo nos oceanos. Um golfinho da espécie Sotalia guianensis foi encontrado morto na Praia do Sapê, em Ubatuba, litoral norte de São Paulo. O animal tinha uma tira de chinelo presa ao focinho.

De acordo com os veterinários do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), da ONG Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha, que foram chamados pelos moradores locais, a morte do golfinho foi provavelmente provocada pela tira de plástico, que devia estar presa na boca do animal por um longo tempo e acabou causando uma grave infecção e possivelmente, impossibilitando-o de se alimentar.

“A cena é triste. Tudo indica que o animal passou meses com esse pedaço de chinelo enroscado ao corpo”, afirmou Carla Beatriz Barbosa, coordenadora do PMP-BS, em entrevista à revista Veja.

O acidente chocou não somente os especialistas da ONG, mas também os moradores da comunidade. O episódio é mais uma triste constatação do impacto do lixo na vida marinha.

“Casos como este são chocantes, mas precisamos e devemos divulgar para que as pessoas saibam que até um simples chinelo esquecido na beira do mar pode levar à morte um animal marinho ameaçado de extinção”, explica Hugo Gallo, oceanógrafo e presidente do Instituto Argonauta.

Em abril, outro golfinho, da espécie Stenella attenuata, foi encontrado encalhado na praia Central de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Durante mais de 20 horas, uma equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos, junto com voluntários de ONGs locais e membros do Corpo de Bombeiros, tentou ajudar o animal, que estava bastante debilitado.

A tentativa de resgate de golfinho encalhado em Santa Catarina

Infelizmente, o golfinho acabou morrendo. Ao fazer a necrópsia, foram encontradas diversas marcas lineares e profundas na pele das nadadeiras, características de objetos finos como fios de nylon utilizados em linhas e redes de pesca. Esta não foi a causa principal da morte, mas certamente, foi uma das razões pela qual o animal estava tão fraco.

O que fazer ao encontrar um animal marinho na praia?

Se o animal estiver nadando, não se aproxime! Muitos estão apenas de passagem, descansando, como acontece com o leão-marinho e o lobo-marinho, e podem se tornar agressivos caso se sintam ameaçados.

Se o animal estiver entre pedras, na areia ou apresentar dificuldades para nadar e subir à superfície para respirar é necessário o atendimento por especialistas. Neste caso, siga os seguintes passos:

– Não puxe o animal pela cabeça, nadadeira ou cauda;
– Isole a área para manter o animal afastado de curiosos, cachorros e urubus;
– Mantenha o animal, se possível, à sombra;
– Se for pinguim, mantenha-o aquecido em caixa de papelão, envolto em uma toalha ou jornal;
– Ligue o mais rápido possível para o órgão responsável em sua cidade.

*Fonte Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha

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Fotos: divulgação

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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