Golfinho é encontrado morto com manchas de óleo em praia de Alagoas

golfinho morto

No último sábado (13/10), o Instituto Biota de Conservação divulgou em sua página, no Facebook, que havia achado um golfinho, sem vida, encalhado, na praia de Feliz Deserto, no litoral de Alagoas. O animal estava sujo com manchas de óleo.

Segundo a equipe do instituto, que fez um exame inicial ali mesmo, onde o boto-cinza (Sotalia guianensis) foi encontrado, o macho, com 1,76m, não apresentava óleo no trato digestivo e respiratório.

Golfinho é encontrado morto com manchas de óleo em praia de Alagoas

Testes adicionais serão realizados, com material biológico coletado, para tentar identificar a morte do golfinho.

Além do mamífero, os veterinários do Instituto Biota também resgataram cinco tartarugas marinhas sujas com óleo. Três delas morreram.

Até este momento, já são 150 localidades (praias) poluídas com as manchas de petróleo cru, em 71 municípios de todos os estados do litoral nordestino. A contaminação da costa começou a ser notada pela população no início de setembro (leia mais aqui).

Golfinho é encontrado morto com manchas de óleo em praia de Alagoas

Manchas de petróleo espalhadas pela areia

Só em Salvador, a prefeitura divulgou um balanço em que afirma que mais de 30 kg de óleo foram retirados das praias da capital nos últimos dias. Na sexta-feira, internautas postaram imagens de uma grossa camada da substância invadindo as piscinas naturais da Praia do Forte, um dos mais famosos pontos turísticos da Bahia e sede do Projeto Tamar.

Golfinho é encontrado morto com manchas de óleo em praia de Alagoas

Contaminação na Praia do Forte, na Bahia

Estado de emergência

No sábado (12/10), o governo da Bahia, último estado onde a mancha chegou, anunciou um decreto de emergência para ajudar todos os municípios afetados pela contaminação. A intenção é liberar recursos para que seja feita a limpeza das praias nesses locais.

A substância também já polui 12 unidades de conservação federais. Além do impacto sobre a pesca, especialistas estão preocupados com animais marinhos como o peixe-boi, já ameaçado de extinção.

O último relatório divulgado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), datado de domingo (13/10), revela que já subiu para treze o número de tartarugas marinhas encontradas mortas, com manchas de óleo. Outras dez foram resgatas e encaminhadas para órgãos de proteção ambiental.

Omissão do governo federal

Acatando a um pedido do Ministério Público Federal de Sergipe, o juiz Fábio Cordeiro de Lima determinou que o governo federal e o Ibama “implantem, em até 48 horas, barreiras de proteção nos rios São Francisco, Japaratuba, Sergipe, Vaza Barris e Real, com o consequente monitoramento”. Caso não cumpram a determinação, a multa será de R$ 100 mil, por dia.

Segundo o texto, mesmo que o óleo não seja brasileiro (estudos indicam que ele é venezuelano), o governo tem dever de proteger o meio ambiente e sua população.

“As consequências abrangem bens ambientais que pertencem à União, uma vez que envolvem danos (concretizados ou potenciais) a rios que banham mais de um estado, ao mar territorial, a faixa de praia e áreas compreendidas como terrenos de marinha (Zona Costeira), aos recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva, bem como lesões à fauna silvestre e à flora”, destacou Ramiro Rockenbach, procurador da República, que assinou o documento, e disse ainda que “a União está sendo omissa”.

As manchas de óleo grudadas no corpo do boto morto

*A orientação a pescadores e banhistas é que não toquem no óleo e que, se encontrarem manchas em alguma praia ou animais atingidos, entrem em contato com os órgãos públicos, indicando o local em que elas estão localizadas. O telefone da Linha Verde do Ibama é 0800 618080

Leia também:
Soltura dos filhotes de tartaruga é feita em alto mar por causa de mancha de óleo que atinge litoral nordestino

Fotos: divulgação Instituto de Conservação Biota (boto) João Arthur/Tamar (manchas óleo na praia) e reprodução internet (óleo Praia da Forte)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta