Glaciares do planeta perderam 9 trilhões de toneladas de gelo nos últimos 50 anos

Glaciares do planeta perderam 9 trilhões de toneladas de gelo nos últimos 50 anos

Entre 1961 e 2016, houve o derretimento de 9 mil gigatoneladas de gelo – 9 trilhões de toneladas –, em glaciares do mundo todo. Esse fenômeno provocou o aumento de 27 milímetros do nível dos oceanos. Pode parecer pouco, mas não é.

Com algumas das cidades mais populosas do mundo estando localizadas em zonas costeiras, mesmo o menor aumento do nível do mar provoca graves problemas e riscos para as pessoas que ali vivem.

Acontece que sempre quando pensamos em geleiras, as primeiras imagens que aparecem em nossa mente são regiões do Ártico e da Antártica. Mas há glaciares em todos os continentes. E todos estão sofrendo com o impacto das mudanças climáticas.

A constatação foi feita por pesquisadores de diversas universidades internacionais e publicada em artigo científico na revista Nature.

São mais de 700 mil km2 de geleiras no planeta, além daqueles localizados na Groenlândia e na Antártica. Utilizando dados de estudos de campo aliados a informações de satélites, os cientistas calcularam quanto gelo foi perdido ou ganho por 19 regiões glaciares diferentes. O resultado está no mapa que abre este post.

As maiores perdas foram registradas no Alaska, seguidas por áreas na Groenlândia e nos andes sulamericanos. Redução significativa de camadas de gelo também foi observadada em glaciares no Canadá e na Rússia.

“Embora agora possamos oferecer informações claras sobre a quantidade de gelo que cada região perdeu, também é importante observar que a taxa desse degelo aumentou significativamente nos últimos 30 anos. Atualmente estamos perdendo um total de 335 bilhões de toneladas por ano, correspondendo a um aumento no nível do mar de quase 1 mm por ano ”, alertou Michael Zemp, pesquisador da Universidade de Zurique, na Suíça, e principal autor do estudo.

Ainda de acordo com ele, a cada ano perdemos cerca de três vezes o volume de gelo estocado nos alpes europeus e isso representa aproximadamente 30% da atual taxa de aumento do nível do mar.

Zemp ressalta ainda que o derretimento das geleiras não impacta apenas os oceanos, mas também comunidades que vivem próximo a essas áreas. “O desaparecimento dos glaciares significa menos água para milhões de pessoas, menos energia hidrelétrica e água para as plantações, além de aumentar muito o risco de desastres naturais, como inundações e enchentes”.

*Com informações da European Space Agency

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Fotos: reprodução European Space Agency

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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