Gisele Bündchen, o projeto Drawdown e o otimismo de Carlos Nobre

No dia 18 de maio aconteceu, em São Paulo, o lançamento da edição brasileira do livro Drawdown – 100 iniciativas poderosas para resolver a crise climática, do jornalista e ambientalista norte-americano Paul Hawken. O encontro, que contou com a presença da ativista Gisele Bündchen e do cientista Carlos Nobre, foi apoiado pelo Believe.Earth, movimento que tem a missão de nos fazer acreditar que o futuro pode ser inacreditável e por onde compartilha-se soluções para os principais problemas da atualidade.

Este livro promete ser “O” guia a ser consultado por todos os países do mundo que queiram se engajar na causa do clima. Entre os passos sugeridos e compilados por Paul, estão investimentos na educação e empoderamento da mulher, economia da floresta em pé, reflorestamento, desmatamento zero.

Carlos Nobre afirmou, em tom animado, que o Brasil tem tudo para cumprir as 100 soluções e que podemos ser o primeiro país do mundo a conseguir isso. Fiquei extremamente feliz com seu otimismo realista.

Agora, a partir do livro de Paul e de tudo que ouvi nessa noite, faço, aqui, algumas reflexões sobre:

A educação da mulher

Por onde começa a nossa educação? Dentro de casa, com nossa família. Mulheres com mais possibilidade de estudo e espaço para manifestar sua sabedoria certamente têm muito poder para influenciar pensamentos e atitudes de seus familiares. Nesses tempos muy modernos, nos esquecemos disso, mas é bom a gente se lembrar que pai e mãe constroem a base do que provavelmente seremos pelo resto da vida. Quanto mais mulheres educadas e empoderadas, mais o núcleo familiar fica fortalecido e consciente de sua responsabilidade com as outras pessoas e o planeta.

Gisele compartilhou, por exemplo, que em sua casa não entra plástico de jeito nenhum, que seu filho de 8 anos pediu para não ganhar presentes no aniversário e, em vez disso, os convidados doassem uma quantia em dinheiro para uma ONG que cuida de bebês elefantes órfãos. Isso é resultado de que? De uma postura madura da mãe, que dá o exemplo do que acredita ser o melhor caminho para o mundo, que estudou para saber do que está falando e que ensina os filhos a realidade da vida.

Sem delongas, ela já falou aos três filhos que todo plástico que consomem pode eventualmente ir parar no oceano e, consequentemente, na barriga de uma baleia. Isso se chama responsabilidade, consciência sistêmica de como funciona a teia da vida. Por isso, não é de se admirar, que seus filhos têm preferido não ganhar presentes de aniversário de ninguém. E isso certamente é um passo para resolver a questão climática.

A Amazônia

No Brasil, temos a Amazônia, floresta amada que regula o clima do planeta – cuidar para que, como diz Antonio Nobre, irmão de Carlos, “mais nenhuma árvore caia” na região é meta ambiciosa, necessária, urgente e básica para o cuidado com o clima. Portanto, desmatamento zero é para ontem. Outra meta maravilhosa se refere ao reflorestamento – vamos replantar a floresta? Empresas e organizações que entenderem isso sairão na frente e ganharão mais clientes conscientes, garanto. Atenção governo brasileiro, esse recado também é para você.

Uma linguagem mais propositiva 

Paul Hawken chamou a atenção das pessoas para os termos bem negativos usados, reutilizados e não reciclados pela imprensa, que ainda insiste em propagar a urgência do “combate às mudanças climáticas”. Com expressões tão negativas, quem é que vai se interessar pela questão do clima? Só mesmo os mais conscientes, os mais preocupados, a galera que já estuda e trabalha com isso.

Para que o problema das mudanças climáticas seja abraçado por todos, a mídia deve se reinventar em sua linguagem – e isso, repito pela enésima vez, também vale para o que se fala da Amazônia.

Queremos massa crítica para a nossa causa? Queremos mais engajamento? Então vamos precisar aprender a usar uma linguagem mais positiva e propositiva. Como nos lembrou Paul, “o clima não é inimigo, ele é amigo!”. Não se combate as mudanças climáticas – quem aí aguentaria viver apenas em uma única estação do ano a vida inteira, não é mesmo?

Combate, não. Cuidado, sim!

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Fotos: Divulgação/Believe Earth

Conectada com a força da floresta – guiada, protegida e inspirada por ela. Jornalista ambiental, educadora e fundadora do Reconexão Amazônia. Há mais de uma década tem se dedicado a proteger a Amazônia, onde morou por cinco anos. Mestre em Ciências Holísticas pela Schumacher College, Inglaterra, é formada em Educação para a Sustentabilidade pelo Gaia Education e Vivências com a Natureza pelo Instituto Romã.

Karina Miotto

Conectada com a força da floresta – guiada, protegida e inspirada por ela. Jornalista ambiental, educadora e fundadora do Reconexão Amazônia. Há mais de uma década tem se dedicado a proteger a Amazônia, onde morou por cinco anos. Mestre em Ciências Holísticas pela Schumacher College, Inglaterra, é formada em Educação para a Sustentabilidade pelo Gaia Education e Vivências com a Natureza pelo Instituto Romã.

Um comentário em “Gisele Bündchen, o projeto Drawdown e o otimismo de Carlos Nobre

  • 28 de maio de 2018 em 7:53 AM
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    Ola Karina,
    Gostaria de te parabenizar pela matéria. Acredito que toda e qualquer informaçao ajuda na causa que deveria ser de todos, sobretudo em uma linguagem fácil, direto ao ponto e positiva! Meus parabéns!

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