Girafa entra para a Lista Vermelha de animais ameaçados de extinção. E não está sozinha


Depois de passar anos como uma espécie de “menor preocupação”, a girafa acaba de ser incluída na lista vermelha de animais ameaçados de extinção da IUCN – International Union for Conservation of Nature (União Internacional para a Conservação da Natureza).

A categoria? Vulnerável. A razão: de 1985 a 2015, sua população foi reduzida em cerca de 40%, passando de 163.452 mil indivíduos para 97.562 mil.

O relatório da ONG – divulgado ontem, 8/12, durante a 13a. Conferência da Biodiversidade (COP13), em Cancún, no México – revela que, das nove subespécies de girafa existentes na Terra, cinco estão em risco e, agora, figuram nessa lista tão temida. Três subespécies, ao contrário, registraram aumento na quantidade de indivíduos e uma está estável.

Entre as causas desse cenário estão o aumento da população em vários países africanos, a expansão da agricultura, a caça ilegal, o desmatamento e as guerras civis. E a direção da instituição salientou que até os conservacionistas desconhecem a real situação das girafas em seus habitats naturais.

Aves e plantas também podem desaparecer

Mas não é só a girafa que entrou para a lista vermelha que, hoje, reúne 24.307 espécies entre as 85.604 analisadas. A girafa é o único mamífero – o mais alto do mundo – incluído agora. As demais espécies são aves e plantas.

Aves
Esta atualização da Lista Vermelha inclui a reavaliação de todas as espécies de aves. Graças a uma extensa revisão taxonômica realizada pela  BirdLife International em parceria com o Manual de Aves do Mundo, o número total de espécies de aves avaliadas atingiu 11.121. A IUCN analisou mais de 742 novas espécies de aves e chegou à conclusão de que 11% está sob ameaça de extinção. Treze aves recém descobertas e endêmicas em ilhas e, certamente, foram “varridas” por espécies invasoras.  Várias foram perdidas nos últimos 50 anos como a toutinegra pagã (Acrocephalus yamashinae), O’ahu akepa (Loxops wolstenholmei) e Laysan honeycreeper (Himatione fraithii).

A carriça de Antioquia recentemente descrita (Thryophilus sernai) foi listada como ameaçada de extinção, já que mais de metade do seu habitat no Peru poderia ser aniquilado por causa da construção de uma barragem. A perda de habitat para a agricultura, a exploração madeireira e a degradação por espécies invasoras e o comércio ilegal são as principais ameaças e também empurraram o vanga azul de Comoro marcante (Cyanolanius comorensis) para a categoria “vulnerável”, que é considerada ameaçada (ver critérios no final deste post).

O estudo ainda revelou que algumas das aves mais populares do mundo também podem desaparecer na natureza, em breve. É o caso do papagaio-cinzento africano (Psittacus erithacus) – um animal de estimação que tem a capacidade de imitar a fala humana – que é capturado com frequência para tráfico e também tem perdido seu habitat. Ele passou da categoria “vulnerável” para “ameaçada de extinção”. Estudo da BirdLife International identificou que, em algumas partes do continente africano, resta apenas 1% da espécie.

A situação é ainda pior na Ásia, com espécies como rufor de rufos (Garrulax rufifrons), o lorikeet (Trichoglossus forsteni) e o bulbul (Pycnonotus zeylanicus) entre outras incluídas na categorias de “mais ameaçadas”. Aqui também são os níveis insustentáveis ​​das capturas para o tráfico, em grande parte centradas em Java, que impulsionam a deterioração de muitas espécies.

Mas o estudo da IUCN também traz boas notícias: algumas das aves mais raras e mais vulneráveis ​​do planeta – as que existem apenas em pequenas ilhas isoladas, como o bullfinch dos Açores (Pyrrhula murina), a tarambola de Santa Helena (Charadrius sanctaehelenae) e o olho branco das Seychelles (Zosterops modestus) estão entre as espécies que, graças aos esforços incansáveis de conservação, puderam ser rebaixadas na Lista Vermelha.

Plantas e frutas
Espécies silvestres como mangas, girassóis e aspargos também entraram para a lista vermelha da IUCN por causa da urbanização, da agricultura intensiva, da fragmentação de habitats e também das mudanças climáticas.

Pela primeira vez, a organização avaliou 233 plantas que nascem sem a intervenção do ser humano e que são similares às cultivadas pelo mundo. O resultado revelou que há 4 espécies de mangas “em perigo” e que a manga indonésia Kalimantan já não existe mais.

O desaparecimento dessas espécies silvestres impacta na diversidade genética – fertilidade, valor nutricional e resistência a doenças e à seca – que, por sua vez, influencia a agricultura, um de seus algozes.

Critérios para classificar as espécies 

Entenda como funciona a classificação da IUCN para incluir ou não uma espécie em sua Lista Vermelha:
EM EXTINÇÃO
– extinta
– extinta na natureza
AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO
– criticamente em perigo
– em perigo
– vulnerável
FORA DO RISCO
– quase ameaçada
– pouco preocupante

Leia também:
Lista vermelha da IUCN

Foto: Alexas/Pixabay

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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