G20 isola EUA e avança na agenda de clima. E o Brasil é coadjuvante


Os líderes de 19 das 20 maiores economias do mundo reafirmaram, em 8/7 (sábado), seu compromisso com a luta contra o aquecimento global. Mais do que isso, reconheceram que as energias limpas e a eficiência energética são motores cruciais do crescimento econômico neste século.

Sob liderança da chanceler alemã, Angela Merkel, o G20 isolou os Estados Unidos e produziu, pela primeira vez na história do bloco, um plano de ação sobre mudança do clima e energia. Embora não faça nenhuma referência ao aumento da ambição os compromissos nacionais – algo fundamental para atingir a meta de estabilizar o aquecimento da Terra bem abaixo de 2o C –, o documento dá um recado claro: o Acordo de Paris é irreversível e irrefreável. A transição para uma economia de baixo carbono já começou, ainda que o governo de Donald Trump insista nos combustíveis fósseis.

O Brasil, representado pelo presidente Michel Temer, foi coadjuvante nas discussões. Embora Temer tenha reafirmado seu “engajamento pessoal” com o Acordo de Paris e com a proteção de florestas, a realidade doméstica vai no sentido oposto: o Plano Decenal de Energia 2026, posto em consulta pública nesta sexta-feira enquanto Temer discursava sobre clima, ainda prevê 70,5% de investimentos em combustíveis fósseis, o que mantém a proporção do plano anterior, da gestão Dilma Rousseff, e a prioridade aos combustíveis fósseis, em especial ao pré-sal. E o alinhamento do presidente com a bancada ruralista tem conduzido a retrocessos na agenda ambiental, como a anistia à grilagem e a sinalização da redução de áreas protegidas, que levam ao aumento do desmatamento – e das emissões do país, que cresceram no primeiro ano de mandato de Temer.

*Este texto foi publicado pelo Observatório do Clima no dia 8/7/2017

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