França pode obrigar restaurantes a oferecer embalagens com sobras das refeições

A gastronomia francesa está em polvorosa. Um projeto de lei está em discussão no parlamento para fazer com que restaurantes, bistrôs e cafés sejam obrigados a oferecer a seus clientes embalagens recicláveis para que eles possam levar o que sobrou de suas refeições para casa.

O grande problema é que os chefs franceses não veem com bons olhos a “cultura da quentinha”, também conhecida nos Estados Unidos como “doggy bag”. Para eles, as pratos de comida na França sempre foram em porções menores do que os servidos em restaurantes americanos, onde a prática de se pedir para levar para casa o que sobrou é comum.

Todavia, os números contradizem a alegação dos chefs da capital culinária do mundo. Segundo estimativas, restaurantes daquele país jogam fora o equivalente a 21 kg de comida, por pessoa, a cada ano. O desperdício é cinco vezes maior em restaurantes do que nas residências. Nas casas francesas, cerca de 157 gramas de alimentos, por refeição, são jogados no lixo. Algo em torno de 400 euros por ano. No país todo, as perdas econômicas chegam a 20 bilhões de euros.

De acordo com a Commission du Développement Durable, da Assembleia Nacional, responsável pelo proposta do projeto, se aprovada, a nova lei poderia reduzir o desperdício de alimentos na França pela metade até 2025. O texto será debatido no parlamento em maio.

“É verdade que na França há uma barreira psicológica, mas também porque os consumidores se sentem inibidos em pedir uma embalagem de viagem com medo da reação dos restaurantes. Entretanto, hábitos precisam mudar”, diz Bérangère Abba, autora do projeto, em entrevista ao jornal Le Parisien.

Esta não é a primeira iniciativa do governo francês para tentar reduzir o desperdício de alimentos. Em 2015, como mostramos aqui, neste outro post, o país sancionou uma lei que obrigou supermercados a doar alimentos com prazo de validade perto do vencimento para instituições de caridade e banco de alimentos. Os que não obedecem, são multados. Já na Itália, os supermercados que doam comida recebem descontos nos impostos.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) afirma que 1/3 dos alimentos produzidos no mundo são desperdiçados, algo em torno de 1,3 bilhão de toneladas por ano. Enquanto isso, 815 milhões de pessoas, o que equivale a 11% da população global, não tem o que comer.

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Foto: Tae In Kim on unsplah

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Um comentário em “França pode obrigar restaurantes a oferecer embalagens com sobras das refeições

  • 3 de maio de 2018 em 7:17 PM
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    Donos de restaurantes deveriam se esforçar para encontrar a fórmula de equacionar o desperdício versus fiscalização sanitária, porque a comida que vai para o lixo vai faltar na boca da criança subnutrida e quem sabe esta mesma criança encontre no lixo a comida que foi jogada lá há alguns dias, porque não foi doada para um ser humano ou para um animal no mesmo dia, enquanto estava em condições de ser consumida. Crime é despejar no latão a comida ainda quente para ser devorada pelos vermes, enquanto bebês e velhos vão dormir com fome no barraco da esquina, acreditando que Deus não existe.

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