França, Finlândia e Irlanda ameaçam sanções comerciais ao Brasil por causa de desmatamento na Amazônia

França, Alemanha, Finlândia e Irlanda ameaçam sanções comerciais ao Brasil por causa de desmatamento na Amazônia

Diversos países se pronunciaram publicamente nas últimas horas em relação ao aumento dos índices de desmatamento na Amazônia nos últimos meses e a falta de ação do governo federal para combater os incêndios florestais na região.

Ontem (22/08), o presidente da França, Emmanuel Macron, criticou Jair Bolsonaro. O francês usou as redes sociais para dizer que a “Amazônia era um problema internacional, que deveria ser discutido durante o encontro G7″. A reunião, entre os sete maiores líderes mundiais (França, Estados Unidos, Alemanha, Canadá, Reino Unido, Itália e Japão) acontece neste próximo final de semana, em Biarritz, em solo francês.

O presidente brasileiro ficou enfurecido com a afirmação e rebateu que Macron estaria “instrumentalizando uma questão interna do Brasil para ganhos políticos pessoais”. Bolsonaro criticou ainda o tom sensacionalista da mensagem e retrucou “A sugestão do presidente francês, de que assuntos amazônicos sejam discutidos no G7, sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI”.

Hoje os ânimos continuaram acalorados e o governo da França emitiu uma nota, em nome de Macron, em que diz que “Bolsonaro mentiu ao assumir o compromisso em defesa do meio ambiente na cúpula do G20, em junho, e que isso inviabiliza a ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul”.

Logo em seguinda, foi a vez da Irlanda enviar um recado ao Brasil. “Não há nenhuma chance de votarmos a favor (do acordo) se o Brasil não honrar seus compromissos ambientais”, escreveu em nota, o primeiro-ministro daquele país, Leo Varadkar.

Firmado depois de mais de 20 anos de negociações, o tratado tem como principal objetivo eliminar, nas próximas décadas, mais de 90% das tarifas comerciais praticadas atualmente entre os dois blocos.  

Boicote à carne brasileira

A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, também reforçou o coro dos países europeus preocupados com a situação da amazônia brasileira e concordou com Emmanuel Macron na ideia de discutir a questão durante o G7. O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e do Canadá, Justin Trudeau, são outros líderes, que participarão da reunião nos próximos dias e lamentaram a destruição da nossa floresta.

Para aumentar ainda mais a lista de nações que mostram seu descrédito ao atual governo do Brasil e sua falta de política para a preservação do meio ambiente, a Finlândia sugeriu que a União Europeia estude um boicote urgente à carne bovina brasileira.

Há poucas horas, o governo dos Estados Unidos, aliado de Bolsonaro, também divulgou uma nota, em tom bem mais brando do que os europeus, mas, em que se diz, mesmo assim, “profundamente preocupado com as queimadas na Amazônia e o impacto dos incêndios na floresta sobre as comunidades, a biodiversidade e os recursos naturais da região”.

As declarações inconsequentes de Jair Bolsonaro, sem pensar nas questões diplomáticas envolvidas, podem ser um tiro no pé para as relações comerciais do Brasil e no próprio agronegócio, que ele tanto defende.

Sim, a Amazônia é um patrimônio brasileiro e problema de soberania nacional, mas o que acontece na maior floresta tropical do planeta influencia a vida de milhões de outros habitantes da Terra. Nada mais natural que todos estejam preocupados e queiram ajudar.

Com os cofres do governo zerados, o presidente desdenhou recentemente do dinheiro oferecido por Alemanha e Noruega no Fundo Amazônia. A Bolívia, nosso vizinho pobre, por exemplo, acaba de importar um avião gigante para combater o fogo em suas florestas. No Brasil, o governo ainda está na fase de discussão sobre o problema. Enquanto isso, as árvores e o animais enfrentam os incêndios, com pouquíssimas chances de sobrevivência.

*Com informações do jornal Folha de São Paulo

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Fotos: cbm/ro/fotos públicas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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