França colocará taxa sobre embalagens fabricadas com plástico não-reciclado em 2019


França colocará taxa sobre embalagens com plástico não-reciclado em 2019

Os franceses reciclam apenas 25,5% de seu lixo plástico, a segunda pior média da Europa, principalmente quando comparados aos moradores de países como Suíça, Alemanha e Áustria.

Mas o governo quer mudar esta situação e anunciou que, a partir do ano que vem, embalagens fabricadas com plástico virgem (não-reciclado) custarão 10% mais do que aquelas feitas com material reciclado.

O anúncio foi feito por Brune Poirson, do ministério do meio ambiente, que revelou também que o governo aumentará o valor de impostos para o despejo de lixo em aterros sanitários e reduzirá os encargos para empresas que trabalham no setor de reciclagem.

“Desta maneira, quando houver a opção de compra de duas garrafas, uma feita com plástico reciclado e a outra não, a primeira será mais barata”, disse Poirson.

O governo ressaltou que, se em dois anos a medida não mostrar bons resultados, novas sanções ao plástico virgem serão impostas.

O presidente Emmanuel Macron estabeleceu uma meta para que 100% do plástico seja reciclado na França até 2025.

A partir de 2020, estarão banidos no país copos, pratos e talheres de plástico, que deverão ser substituídos por biodegradáveis. A lei, aprovada em 2016, foi proposta pelo Europe Ecologie-Greens Party (o Partido Verde francês).

A era do plasticídio

Atualmente uma quantidade absurda de plástico é jogada nos mares do planeta todos os anos. As correntes oceânicas formaram cinco ilhas gigantes destes resíduos, chamadas de Vortex, que se movem lentamente, em redemoinhos.

Estudo recentes revelam que cerca de 5 trilhões de resíduos plásticos, pesando mais de 250 mil toneladas, boiam pelos oceanos. Apesar de grande parte deste volume estar nos Vortexes, uma parcela significativa deste lixo é levada para a costa ou digerida por animais marinhos, que acabam morrendo sufocados por esses dejetos.

Por isso, é cada vez maior o número de cidades e países que estão banindo a venda e oferta do plástico de uso único. Na Europa, a distribuição das sacolas plásticas é proibida há anos. Quando não, ela é cobrada. Mostramos aqui, neste outro post, que entre outubro de 2015 e abril de 2016, os sete maiores supermercados da Inglaterra viram uma queda de 85% na entrega de sacolas, de 7,6 bilhões de unidades para 600 milhões, depois que elas deixaram de ser dadas gratuitamente nas lojas e uma taxa de apenas 5 centavos de libra foi imposta para cada unidade.

Irlanda, Escócia, Dinamarca, Alemanha, Portugal e Hungria são outros lugares onde, se você quer a sacola plástica, é obrigado a pagar por ela. Recentemente noticiamos no Conexão Planeta também que o Quênia proibiu a produção, venda e uso de sacolas plásticas com pena de multa e até prisão (leia mais aqui).

E no final de 2017, a presidente chilena Michelle Bachelet assinou um projeto de lei que proibiu a venda de sacolas plásticas em mais de 100 cidades e vilarejos ao longo da costa do país. A medida tornou o Chile a primeira nação da América Latina a enfrentar de maneira séria o problema que o plástico vem causando ao meio ambiente, ao poluir os oceanos e matar milhares de animais marinhos.

*Com informações da agência de notícias Reuters

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Foto: domínio público/pixabay

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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