Fotógrafo faz últimos registros de elefante raro, um dos poucos de sua espécie, que ainda sobrevivia na África

A imagem acima é lindíssima, mas também, muito triste. Porque ela é o último registro de uma das sobreviventes de uma espécie, que em pouco tempo, corre o risco de não existir mais no planeta.

Estima-se que restem apenas 30 elefantes-da-savana (Loxodonta africana) na África. Estes gigantes tem imensas presas, que de tão longas, vão praticamente até o chão.

Os elefantes estão entre os animais mais antigos que ainda habitam a Terra. Únicos sobreviventes de espécies que já desapareceram. Acredita-se que o primeiro deles surgiu no planeta há 25 milhões de anos. A partir dessa linhagem, vieram as duas espécies conhecidas até hoje: os africanos e os asiáticos.

Na África, há os elefantes-da-floresta e os elefantes-da-savana. No passado, biólogos afirmam ter existido uma terceria subespécie, precursora do da savana, mas hoje extinta.

Por causa de suas longas presas, ao longo dos últimos séculos, o elefante-da-savana foi brutalmente caçado e morto. Traficantes tiravam a vida desses imensos animais para vender o marfim. Crime cruel que até hoje ainda é cometido.

Em 2017, o fotógrafo britânico, especializado em de vida selvagem, Will Burrard-Lucas registrou as fotos em preto-e-branco que ilustram esta reportagem. Feitas no Parque Nacional de Tsavo, no Quênia, elas fazem parte de um projeto da Fundação Tsavo e do Kenya Wildlife Service para aumentar a conscientização sobre a importância da conservação do elefante-da-savana.

“Espero que as pessoas sejam inspiradas a se preocupar com o mundo natural e, se quiserem, apoiar organizações como a Tsavo, que trabalha tão bem para manter esses animais protegidos”, disse Burrard-Lucas à CNN Travel.

Essas e outras imagens do fotógrafo fazem parte de um livro, “A Terra dos Gigantes”, com 150 registros dos elefantes do parque do Quênia. O objetivo é levantar recursos para o trabalho de conservação da ONG.

Infelizmente, na semana passada, Burrard-Lucas contou, em seu blog, que a elefante retratada em seu ensaio havia morrido de causas naturais, pouco tempo depois das imagens teriam sido feitas. “Ela era uma elefante incrível. Por mais de 60 anos, viveu pacificamente em um lugar tranquilo de Tsavo, no Quênia”.

O fotógrafo recordou a primeira vez que a viu. “Fiquei impressionado, pois ela tinha as presas mais incríveis que eu já tinha visto. Se não fosse com meus próprios olhos, eu poderia não acreditar que tal elefante existisse em nosso mundo. Se houvesse uma rainha dos elefantes, certamente teria sido ela”.

E ele diz mais. “Fotografá-la foi uma das maiores honras da minha carreira”.

Fotos: Will Burrard-Lucas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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