Formigas, com licença? Preciso plantar!

formigas

Formigas são insetos sociais, que vivem agrupados no subsolo e constroem uma rede de galerias que podem ser quilométricas. Chegaram aqui na Terra muito antes de nós humanos e para se alimentar e sobreviver cultivam fungos que crescem embaixo do solo, em ambientes de temperatura controlada. Para isso, as formigas utilizam matéria orgânica morta e um sistema social hierárquico, em que cada uma exerce sua função. Para controlar o crescimento da colônia, basta que se controle o crescimento destes fungos.

Existem vários tipos de formigas, entre as mais conhecidas estão quem-quem, saúva, lavapés e a formiga preta. Algumas são mais prejudiciais para a horta do que outras. No jardim, elas nem sempre representam uma ameaça, mas dentro de casa, podem ser responsáveis pela proliferação de infecções, afinal, caminham por todos os lados e consomem fungos que crescem de insetos, animais e folhas mortas.

Antes de usar um formicida é importante identificar o tipo de formiga e se o uso dessas substâncias põe em risco animais domésticos, crianças ou ainda, se contaminam o solo e a água. Hoje em dia,  existem empresas especializadas em dedetização pelo processo de controle biológico, que vai criando um ambiente cada vez menos propício para as formigas e outros insetos.

No jardim, como comentei acima, podemos abrir mão de algum espaço para este tipo de inseto, já que o trabalho da formiga também favorece  a vida na terra, por serem elas animais decompositores. Devido à sua ação, os nutrientes voltam com mais rapidez para o solo e elas servem de alimento para pássaros, peixes, outros insetos e até, mamíferos.

O uso de sementes de gergelim é indicado para controlar o crescimento do fungo que as alimenta. É uma forma de controle biológico. Formigas adoram gergelim e acabam carregando as sementes para o interior do formigueiro. Lá dentro, a presença da semente faz com que o crescimento dos fungos diminua.

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Sementes de gergelim são ótimas para diminuir a quantidade de formigas no jardim

Outra sugestão é preparar um macerado de agave. Macerado é o nome que se dá à um preparado de ervas, que ficam de molho em água, sem fervura. A receita é colocar três folhas de Agave americano L., cortadas em pedaços, em cinco litros de água. Deixe a mistura descansar por cinco dias num recipiente com tampa. Depois desse período de repouso, é hora de coar a solução. Estará então pronta para usar. Basta regar o formigueiro com ela semanalmente.

Existe também a solução de sabão, que pode ser usada para desfazer os olheiros (buracos por onde as formigas entram e saem). Neste post, da semama passada, eu ensino como fazer a solução. Em casos extremos, pode-se até mesmo utilizar água fervendo, quando as formigas são muitas e do tipo agressivas, que picam e atacam.

Mas caso você simplesmente queira que as formigas se mudem, sem desejar eliminá-las do seu jardim, coloque uma maça mordida, num lugar menos inoportuno. Elas farão a mudança “de casa” em menos de uma semana para comer a maçã que você ofereceu. Outra dica é, caso você encontre um passarinho morto, enterre-o nas proximidades do formigueiro. As formigas agradecerão o “presente”, deixando suas plantas e canteiros sossegados por meses a fio.

A observação atenta das formigas pode indicar muitas coisas, entre elas, o tipo de solo que há por baixo do seu terreno, afinal elas constroem seus olheiros cavando túneis no interior da terra. Se a cor da terra do formigueiro for diferente da cor da terra do seu jardim, isso pode indicar um solo descontínuo, que talvez tenha sido construído com diferentes camadas sobrepostas.

As formigas também dão pistas sobre as mudanças no clima. A revoada das içás (formigas saúvas que possuem asas e saem dos olheiros para acasalar e formar novos formigueiros), em geral, acontece com aproximação da temporada das chuvas, o que também coincide com a chegada de alguns pássaros migratórios, tornando essas épocas propícias para o acasalamento das nossos amigos aves e para sua alimentação.

Outra curiosidade é que as formigas levantam acampamento (abandonam suas casas) quando seus ninhos estão em áreas sujeitas a encharcamento ou quando o formigueiro já está muito cheio. As mudanças (das estações seca para as chuvosas) as faz procurar por terras mais altas e podem revelar a boa hora para o começo do o plantio, depois de um intervalo nos cultivos, na época que antecede o período de chuvas.

Todas as observações que pudermos registrar através dos habitantes do jardim podem nos conduzir a um “porquê ” na natureza, basta que você esteja atento para correlacionar os fatos.

O importante é manter o espírito curioso, observar e estudar cada manifestação de vida no nosso planeta. Você já pensou em escrever e desenhar um diário do seu jardim? Tenho certeza que, ao final de um ano, registrando a presença de cada visitante, você terá aprendido a relação que existe entre insetos, flores, frutos e folhas.

Quem sabe você poderá antecipar a chegada das andorinhas, das cigarras e descobrir o que as alimenta e, ainda por cima, fazer desabrochar um novo talento para o desenho?

Fotos: domínio público/pixabay

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Liliana Allodi

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

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