Fogo queimou mais de 40% do Parque Nacional Monte Pascoal, na Bahia, e quase atingiu aldeias indígenas

Na semana passada, mais precisamente na quinta-feira, 28/2, duas áreas do Parque Nacional do Monte Pascoal – localizado no Sítio Histórico do Descobrimento, em Porto Seguro, no sul da Bahia – começaram a ser consumidas pelo fogo

Uma, na parte central dessa unidade de conservação (UC), que compreende parte do distrito de Caraíva, conhecida como Ponta do Corumbau, de onde se tem a visão mais completa e incrível do Monte Pascoal. Patrimônio cultural da Unesco, esta foi a primeira porção de terra avistada pelos portugueses na época do descobrimento. O parque foi criado em 1961.

A outra área, fica na região leste, onde estão cinco aldeias indígenas Pataxó, que ocupam 8 hectares do parque: duas delas – Boca da Mata e Meio da Mata – quase foram atingidas. 

O desespero foi grande. A coragem e o empenho dos indígenas também. Lideranças chegaram a publicar vídeos pedindo ajuda. Sua grande preocupação, além de evitar que o fogo chegasse às aldeias, era impedir sua propagação a ponto de queimar o Monte Pascoal. 

“Convivemos com incêndios, aqui na região, há muitos anos. Nossa família, nossos parentes, nosso povo. E hoje estamos lutando no sentido de tentar preservar o que ainda resta nesse parque”, disse Edir Pataxó, voluntário nessa brigada, ao site Bahia Dia a Dia.

Assim que o incêndio foi identificado, brigadistas do ICMBio, que administra o parque, e indígenas se mobilizaram. Não eram muitos e, quando acionado, o Ibama disse que não poderia ajudar. Aos poucos, o ICMBio encaminhou para lá brigadistas do Parque Nacional do Pau Brasil, um coordenador de campo… No final, cerca de 250 pessoas se envolveram no combate ao incêndio, a maior parte voluntários, inclusive ex-brigadistas do ICMBio. 

Todos enfrentaram o fogo com grande dificuldade, já que faltava tudo: ferramentas, motosserras, combustível, tratores… Vendo a situação, a administração da Reserva Veracel (parceira do ICMBio), ofertou alguns equipamentos e um avião para o combate aéreo. 

As chamas se alastaram até segunda, 4/3, e devastaram quase 50% dos 22.500 hectares do parque, ameaçando a vida nas aldeias, matando animais e destruindo espécies raras da vegetação e da fauna da Mata Atlântica. No dia seguinte, o fogo já estava bem controlado, e todos se concentravam na vegetação muito seca para evitar que mais focos se alastrassem. 

estiagem que assola a região – não chove há seis meses -, o calor intenso e os ventos fortes facilitaram o incêndio, mas não esta descartada a hipótese de que tenha sido criminoso. As investigações seguem.

Não é a primeira vez que incêndios acontecem nesse parque. Há registros em 2015 e 2016 (neste ano, as chamas começaram após fiscalização de extração ilegal de madeira), mas este talvez tenha sido o mais dramático. 

Além da situação do clima, passamos por um momento de fragilidade das instituições ambientais do governo. O Ibama, por exemplo, teve 21 superintendentes exonerados pelo ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, na semana passada, o que pode ter ajudado na indisponibilidade do Instituto para ajudar no combate ao incêndio do parque. Detalhe: nunca houve uma exoneração coletiva dessa magnitude. 

Pela trajetória deste governo, desde primeiro de janeiro, parece que a intenção é destruir toda e qualquer forma de manter o meio ambiente protegido, nosso maior patrimônio pela vida. 

Fonte: Brasil Dia a Dia, Correios 24 horas, O Globo, ICMBio

Fotos: Divulgação ICMBio

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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