Florestas do Amapá correm risco de serem dizimadas por plantações de soja e eucalipto

Florestas do Amapá correm risco de serem dizimadas por plantações de soja e eucalipto

Apesar de atualmente 70% das áreas de florestas do estado do Amapá serem unidades de conservação ambiental ou reservas indígenas, os demais 30% estão sendo desmatados pela indústria do agronegócio.

Até então, um estado pouco explorado pelo setor, o Amapá tinha sido poupado dos avanços do crescimento econômico desenfreado e assim sendo, a Floresta Amazônica tinha ficado protegida.

De acordo com uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian, imensas extensões de terra têm sido comercializadas ilegalmente para produtores de soja e eucalipto. As áreas, que até o final do ano passado eram posse do governo federal, teriam sido cedidas para a administração estadual em troca de apoio político. Ainda segundo a denúncia, pequenos agricultores estão sendo expulsos de suas fazendas para que grandes empresas tomem posse das propriedades.

Florestas do Amapá correm risco de serem dizimadas por plantações de soja e eucalipto

Imensas plantações de eucalipto no lugar onde antes era floresta

Integrantes da Comissão da Pastoral da Terra (CPT) afirmam que, nos últimos três anos, especuladores registraram a compra de mais de 1 mil propriedades, o equivalente a 828 mil hectares de terra, que até recentemente, eram exploradas por pequenos produtores, sem registro destas áreas.

Na matéria publicada pelo The Guardian, o padre Sisto Hagro alerta que o Amapá pode ser tornar um “novo Pará”, onde a grilagem de terras iniciou um processo de assassinatos e plantações de soja foram responsáveis por colocar parte da Floresta Amazônica no chão.

É pelo porto de Santana que toneladas de soja e madeira estão sendo exportadas
para Europa, Estados Unidos e Japão

Além do agronegócio, outra ameaça para o meio ambiente do Amapá é a exploração de minério e petróleo. No ano que vem, um consórcio de empresas do setor, entre elas as multinacionais BP e a Total, devem começar a perfurar a costa do estado em busca de petróleo. O Greenpeace Brasil já lançou a campanha Defenda os Corais da Amazônia para tentar impedir que estas companhias causem impactos ambientais na região, onde foram encontrados corais.

A descoberta dos recifes foi uma enorme surpresa para os cientistas porque, a maioria dos grandes rios costuma ter grandes lacunas nos sistemas de sua foz. E os corais geralmente prosperam em águas claras e ensolaradas. Próximo à foz do Amazonas, o ambiente é exatamente o oposto: as águas são escuras e as mais lamacentas do mundo (leia reportagem completa sobre os corais da Amazônia neste outro post).

A exploração petrolífera na costa do Amapá, que ainda depende de licença ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), será desastrosa não somente para a floresta, mas para a vida de mais de 4 mil pescadores, que tem o rio como meio de subsistência, assim como comunidades indígenas, que dependem dele para se alimentar.

No passado, populações ribeirinhas foram afetadas depois da construção de uma usina hidrelétrica no estado, quando extensas áreas de florestas ficaram embaixo da água da barragem

As imagens que aparecem neste post foram feitas pelo premiado fotógrafo espanhol Daniel Beltrá, que esteve no Brasil, a convite do Greenpeace, para retratar a costa do Amapá para a campanha Defenda os Corais da Amazônia.

Do alto, ele fez registros assustadores de como a paisagem do Amapá está sendo destruída e transformada pela exploração de madeira e minério e pelas extensas áreas de agricultura, que cada vez mais, ocupam o lugar da floresta.

Exploração de minério provoca a contaminação dos rios da região

Área devastada para a exploração de manganês, ferro e ouro 

Empresas petrolíferas trarão risco aos frágeis ecossistemas da região, como os manguezais

Fotos: Daniel Beltrá/divulgação Greenpeace

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Um comentário em “Florestas do Amapá correm risco de serem dizimadas por plantações de soja e eucalipto

  • 3 de janeiro de 2018 em 11:42 PM
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    Sou paulistano, tecnólogo em gestão ambiental com especialização em desenvolvimento sustentável por formação e aposentado, tendo trabalhado na área ambiental por cerca de oito a dez anos em uma multinacional.
    Dentro de minha formação, aprendi que:
    -o solo amazônico tem uma camada fértil muito fina, extremamente dependente de água, tanto das chuvas como do lençol freático;
    -o solo desse bioma, sem água, desertificação com extrema facilidade e rapidez; e
    -o eucalipto é uma espécie que necessita de muita água para sobreviver. A cada metro quadrado da sombra da copa das árvores projetada no solo pelas mesmas, equivale a um consumo diário de doze litros de água.
    Estou em Macapá a passeio na casa de familiares e, ontem presenciei enormes plantações de eucalipto, indo da capital para o município de Porto Grande e, na volta, acabei passando por uma estrada (ou ramal, como costumam chamar por aqui), para chegar até uma ponte, chamada de Ponte do Capivara. Foram cerca de vinte quilômetros passando por eucaliptos dos dois lados.
    Se nada for feito pelos órgãos responsáveis, temo que em poucos anos teremos um novo deserto no Estado do Amapá.
    A situação é preocupante ao extremo.
    Aliás, tenho notado outros problemas por aqui. Talvez, pela abundância de água, as pessoas não cuidam desse bem tão precioso, deixando mananciais contaminados por lixo, esgotos e de todo tipo de poluentes.
    O povo é omisso, talvez por falta de conhecimento e o poder público não faz nem o mínimo, que seria educar e conscientizar, quanto mais fiscalizar e punir.
    O tempo urge!
    Educação ambiental já!
    Aplicação da legislação ambiental já!
    Não só aqui no Amapá! Em todo o Brasil!
    Vide caso de Mariana, até hoje sem punição e sem solução para os atingidos pela lama da multinacional….
    Será que nossos netos e bisnetos terão como viver no nosso país?
    Cumpra-se a Constituição, cumpra-se a Lei de Crimes Ambientais!!!
    Vamos deixar um país saudável para nossas gerações futuras!

    Gino Ariete
    gariete2017@gmail.com

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