Físico Marcelo Gleiser recebe importante prêmio internacional por trabalho que alia ciência e espiritualidade

Marcelo Gleiser recebe importante prêmio internacional pelo trabalho que alia ciência e espiritualidade

Aos 60 anos, o físico e astrônomo Marcelo Gleiser acaba se tornar o primeiro latinoamericano a ganhar o mesmo prêmio já concedido a outras inesquecíveis personalidades da história mundial como Dalai Lama, Madre Teresa e o reverendo Desmond Tutu.

O brasileiro foi agraciado com o Prêmio Templeton 2019, por “ser um dos principais defensores da visão de que ciência, filosofia e espiritualidade são expressões complementares da necessidade humana de abraçar o mistério e o desconhecido”.

Segunda a entidade, que oferece o prêmio desde 1973, Gleiser é “uma voz proeminente entre os cientistas, do passado e do presente, que rejeitam a noção de que apenas a ciência pode levar a verdades fundamentais sobre a natureza da realidade. Em vez disso, em sua carreira paralela como intelectual público, ele revela os vínculos históricos, filosóficos e culturais entre as ciências naturais, as humanas e a espiritualidade, e defende uma abordagem complementar ao conhecimento, especialmente em questões em que a ciência não pode fornecer uma resposta final”.

O cientista, nascido no Rio de Janeiro, já escreveu nove livros em português e quatro em inglês. Publicou ainda dezenas de artigos científicos. Atualmente é professor de física e astronomia no Dartmouth College, em Hanover, estado de New Hampshire, nos Estados Unidos.

Extremamente carimástico, Gleiser é frequentemente convidado a dar palestras e aparecer em programas de televisão, além de ter colunas em jornais. No ano passado, em uma entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, alertou sobre a inércia de governos e sociedade no combate às mudanças climáticas. “Quanto mais se espera, maiores serão os custos e maior será o número de mortos e feridos”, disse. “A ameaça de uma grande catástrofe social é real. O problema, ao contrário de um inimigo bem definido durante uma guerra, é que, no aquecimento global, somos nossos próprios inimigos, e cada um de nós tem um papel na crise”.

“O professor Gleiser incorpora os valores que inspiraram meu avô a estabelecer o Prêmio Templeton e a criar a Fundação John Templeton”, afirmou Heather Templeton Dill, atual presidente da entidade. “Dois valores que foram especialmente importantes para ele, e que foram o foco de vários projetos financiados pela fundação, são a busca da alegria em todos os aspectos da vida e a profunda experiência humana de maravilhamento e contemplação.”

O brasileiro receberá £1,1 milhão de libras esterlinas, o equivalente a R$ 5,5 milhões. A cerimônia da premiação será em maio, em Nova York.

“O caminho para a compreensão e a exploração científica não é apenas sobre a parte material do mundo, mas também é uma parte espiritual do mundo”, ressalta Gleiser. “Minha missão é trazer de volta para a ciência, e para as pessoas interessadas na ciência, esse apego ao misterioso, para fazer as pessoas entenderem que a ciência é apenas mais uma maneira de nos envolvermos com o mistério de quem somos.”

Foto: divulgação/Eli Burakian/Dartmouth College

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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