Filhotes órfãos de gambás, tamanduás, aves e outros animais silvestres precisam de ajuda

As cenas das fotos deste post são lindas, fofas e amorosas, mas também contam histórias tristes. A bióloga, diretora do Instituto Espaço Silvestre, Vanessa Tavares Kanaan, as tirou para ilustrar posts em suas redes sociais, para pedir a colaboração de seus seguidores com a doação de cobertores, bichinhos de pelúcia, jornais, mamadeiras pequenas, sondas, posts de plástico com tampa e outros objetos que possam apoiar o trabalho dos pesquisadores do instituto na proteção e reabilitação de filhotes de animais silvestres que perderam suas mães.

O filhotinho de gambá (foto acima) sobreviveu, mas sua mãe foi morta a pauladas. A mãe do filhote de beija-flor (abaixo) foi comida por um gato. A do filhote de tamanduá mirim (foto mais abaixo), atropelada.

Até agora, não há nenhum registro de filhote que tenha perdido sua mãe nos incêndios que têm arrasado partes de Florianópolis, como o que devasta parte do Parque Nacional da Serra do Tabuleiro desde o dia 10 de setembro, terça-feira. Nenhum chegou ao CETAS – Centro de Triagem de Animais Silvestres, mas isso não significa que filhotes não possam sobreviver nesses casos, sem seus pais. “Os animais vítimas desses incêndios sempre têm chance de sobrevivência, mas atendemos apenas um jabuti”, explica a pesquisadora.

Os motivos do abandono de filhotes são inúmeros, mas esses animais geralmente “são vítimas da ação humana“, destaca Vanessa. E isso é válido mesmo no caso dos gatos, já que, perto da natureza – de qualquer mata, parque, floresta ou unidade de conservação – os animais domésticos não podem ficar soltos.

Por isso, uma das primeiras orientações do Espaço Silvestre, para moradores próximos de unidades de conservação e outras áreas de vegetação densa, onde vivem muitos animais silvestres, é manter seus animaizinhos domésticos bem protegidos em casa, inclusive por telas no caso de gatos, e nunca fazer trilhas ou passeios com seus animais soltos. “Quanto mais cuidadoso for o tutor ou o dono do pet, menos risco todo mundo corre”, explica Vanessa. “Soltos, eles não só atacam, como podem ser atacados e contrair doenças”, completa.

Veja que pequenino, o filhote de beija-flor, em comparação com a moeda de um real! Foto: Vanessa Kanaan

Temporada de filhotes, tráfico e também de (mais) atropelamentos

Com a primavera, a natureza floresce, fica mais cheirosa, mais pulsante, mais colorida, mais barulhenta ou musical, chegam os filhotes,… e os traficantes.

É nessa época que a busca por filhotes para renovar e manter o tráfico de animais silvestres se intensifica e que os filhotes são tirados de seus pais. Por isso, Vanessa pede: “Não comprem animais silvestres e denunciem sempre! Há pessoas que pensam que, comprando esses bichos, ajudam a dar um destino melhor para eles, mas não! Assim, só intensificam essa prática ilegal“, alerta.

Tendo consciência dessa realidade, a pesquisadora acredita que cada pessoa pode se tornar um fiscalizador e denunciar, o que ajudará a reduzir essa atividade criminosa. Não só pela vida dos filhotes, mas de seus pais que, muitas vezes, são mortos pelos traficantes.

Esta também é a temporada em que papais e mamães do mundo animal circulam mais em busca de alimento e de novos espaços para seus bebês. E, por isso, podem morrer atropelados nas rodovias e estradas que cortam parques e outras áreas florestais, deixando seus filhotes desamparados. Isso pode acontecer também em cidades muito próximas dessas unidades florestais.

Neste caso, quem dirige deve estar sempre atento, lembrar que essas estradas (e cidades) foram construídas em áreas onde vivem animais silvestres e reduzir a velocidade.

O filhote de tamanduá-mirim precisam se alimentar de cupins, que são fornecidos por
pedaços de cupinzeiros doados por instituições ambientais. Estas têm autorização para fazer a extração e
também para doar formigas para seu alimento. Foto: Vanessa Kanaan

Dinheiro também ajuda um bocado

Todos os filhotes órfãos são levados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), que atua em parceria com o Instituto Espaço Silvestre (onde ficam os animais), que ainda tem o Instituto do Meio Ambiente como parceiro. Foi este que enviou os pedaços de cupinzeiro para alimentar o filhote de tamanduá-mirim.

Se você mora longe e não pode enviar os materiais solicitados pelo Espaço Silvestre (que fica em Itajaí, Santa Catarina) para a reabilitação dos filhotes, pode doar dinheiro.

O instituto não aderiu a uma campanha de crowdfunding, mas mantém o Clube Silvestre (com uma página exclusiva no site), que reúne doadores mensais de quantias que vão de 20 a 200 reais. Quem tiver interesse, pode aderir ao sistema autorizando o desconto em seu cartão de crédito. Se optar por uma doação única, a contribuição pode também ser feita por cartão de crédito ou depósito em conta. Os dados estão todos na página indicada.

Vale observar que, em cada valor para doação, a página indica o beneficiado como sendo o papagaio de peito- roxo (este é um dos projetos mais importantes do Instituto, sobre o qual já contei aqui), mas as contribuições são válidas para todas as ações do instituto e, agora, em especial, para os filhotes que perderam suas mães. Participe!

Como o instituto teve uma ótima experiência com financiamento coletivo, este ano (para poder comprar correntes e cadeados roubados na época de soltura dos papagaios de peito-roxo), existe a intenção de aderir a esse sistema para arrecadar fundos para a montagem de uma UTI para os filhotes de animais silvestres. Avisarei aqui, no site.

Como contribuir com a reabilitação dos filhotes órfãos

Para facilitar o entendimento e a divulgação das orientações da pesquisadora Vanessa Kanaan para ajudar os filhotes órfãos (e, ao mesmo tempo, qualquer espécie vulnerável a atropelamentos e ao tráfico), fiz uma lista super fácil de memorizar. Ajude a divulgá-la!

  1. Não compre animais silvestres! Boicote e denuncie.
    Só assim será possível reduzir o interesse por essa atividade ilegal e deter os criminosos.
    Espalhe informações sobre essa prática hedionda para que mais pessoas tenham conhecimento de que se trata de um crime;
  2. Dirija com cuidado nas estradas e também em vias menores em pequenas cidades, localizadas em áreas florestais ou bem próximas delas. Divulgue a urgência desse cuidado. Animais atravessam essas vias em busca de alimento ou de novos espaços e os atropelamentos, num cenário de motoristas apressados e descuidados, são praticamente inevitáveis;
  3. Doe os materiais divulgados pelo Instituto Espaço Silvestre: cobertores, mamadeiras, sondas, potes de plástico com tampa, jornais e bichinhos de pelúcia;
  4. Doe dinheiro em contribuição única ou mensal, por meio de cartão de crédito ou depósito em conta.

Fotos: Vanessa Tavares Kanaan

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Deixe uma resposta