Filhotes de arara-azul-grande, espécie ainda vulnerável, nascem no Zoo das Aves, em Poços de Caldas

Para uma espécie vulnerável (que é a classificação mais branda com ameaça de extinção), esta é uma notícia maravilhosa. E, se levarmos em conta que sua reprodução também envolve dificuldades, mais ainda. Pois a equipe de biólogos do Zoo das Aves, na cidade mineira de Poços de Caldas, fez um bom trabalho de acompanhamento da gestação de dois filhotes de arara-azul-grande (Anodorhynchus hyracinthinus) e eles nasceram com muita saúde, em fevereiro, na Morada das Araras.

Aliás, este nascimento é a prova de que o trabalho de conservação realizado pela instituição está dando certo: é o reflexo do bem-estar e da qualidade de vida das araras que ali vivem.

Os cuidados com a gestação tiveram início no final de 2018, quando foram encontrados os dois ovinhos durante uma das vistorias realizadas no ninho pelos pesquisadores. Seus pais cuidarão deles até que tenham a plumagem completa e possam comer e se cuidar sozinhos. Mais ou menos como o filhote da foto abaixo, com oito meses. Aí, sim, também poderão ser exibidos para o público do Zoo das Aves.

As araras-azuis geralmente são monogâmicas e cuidam de seus filhotes juntas. Enquanto ela protege os filhotes no ninho, ele se responsabiliza pelo alimento. Sua puberdade acontece aos sete anos e é nesse período que ela (macho ou fêmea) escolhe o parceiro pra vida toda. E pode ocorrer de serem do mesmo sexo ou de espécies diferentes. Neste caso, a reprodução fica inviável.

Outra dificuldade no que se refere à reprodução diz respeito à frequência com que a arara-azul põe ovos: uma vez ao ano ou a cada dois anos.

Tudo isso impede que a maior espécie entre as araraspode medir cerca de 98 centímetros de comprimento e pesar 2 quilos – caia de classificação no ranking da lista vermelha da IUCN. Em 2014, ela desceu à categoria de vulnerável, onde continua. Claro que seria melhor ela baixar mais ainda de nível, mas, sua estabilidade também deve ser celebrada. Acontece também devido aos esforços científicos em cativeiro, como é o caso do Zoo das Aves.

Natural da floresta amazônica e, principalmente, do Cerrado e do Pantanal, a arara-azul-grande (também conhecida como arara-jacinto, araraúnaarara-preta e araruna) luta para sobreviver à caça, ao comércio clandestino e à degradação de seu habitat natural por causa do desmatamento.

Em 1988, havia apenas 2.500 indivíduos no mundo. Em 2010, devido a criação de reservas ecológicas e ao combate da caça, em alguns países, esse número subiu um pouco: 4 mil. Hoje, estima-se que existam apenas 6.500 araras-azuis-grandes.

Fotos: Divulgação/Zoo das Aves

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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