Festival de música da Suécia anuncia edição só para mulheres, em 2018, em protesto contra crimes sexuais


Que tal um festival de música só para mulheres? Essa foi a proposta que a humorista e locutora de rádio Emma Knychare lançou em seu Twitter depois que os organizadores do Festival de Verão da Suécia – o Bravalla, um dos maiores do país – anunciaram o cancelamento da edição de 2018. Motivo: 233 casos de assédio e de 4 estupros registrados no último evento.

Os seguidores de Knychare adoraram a ideia e apoiaram Knychare, o que fez a direção do evento voltar atrás e fazer outro anúncio: no ano que vem, o festival não terá a presença de homens, será só das mulheres!

“Já que parece normal a discriminação contra as mulheres, talvez também seja razoável excluir os homens”, disse ela ao jornal sueco Aftonbladet, citado pela BBC. E completou: “Até que eles aprendam a se comportar”.

Na verdade, esses ataques contra mulheres no festival sueco não são recentes. Em 2016, muitos abusos foram cometidos também e o primeiro-ministro, Stefan Lofven, prometeu endurecer as leis contra os criminosos.

E também é verdade que medidas para proteger as mulheres em encontros de música pelo mundo já foram tomadas em outras ocasiões. Isso aconteceu, por exemplo, no Festival de Glastonbury, realizado na Inglaterra no ano passado. Lá, foi criada uma área especial dedicada a “todos os que se identificam como mulheres”, à qual foi dado o nome de The Sisterhood. Em Michigan, nos Estados Unidos, o festival Eletric Forest também criou um área de camping exclusiva para mulheres.

A decisão da direção do Bravalla e estas ações pelo mundo se somam e provocam a reflexão e o debate sobre o tema. Além de ser urgente precaver mais crimes sexuais. Mas é imprescindível também realizar campanhas sistemáticas de esclarecimento. É incrível que, ainda hoje, seja necessário dizer aos homens que eles devem respeitar as mulheres. Caramba! Mas o machismo ainda é muito disseminado, então, sigamos assim até que a sociedade consiga extirpar esse mau por completo.

E, sim, a decisão da organização do Festival Bravalla é radical, punitiva e afeta homens e garotos que não pactuam com esses criminosos. Mas esse certamente é um jeito bastante eficiente de chamar a atenção de todos pelo mundo para essa questão.

Resta saber como reagirão os artistas que participam desse festival todos os anos. Vamos aguardar.

Foto: Divulgação/Festival Bravalla

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Deixe uma resposta