Festival de Inverno valoriza comunidades e incentiva o turismo rural


O extremo sul do município de São Paulo é uma região extremamente rica, que concentra duas Áreas de Proteção Ambiental e um largo remanescente de Mata Atlântica, com rica fauna e flora. Os mananciais da região se desdobram em cachoeiras que oferecem a possibilidade de passeios em meio à natureza exuberante.

Mas não é só isso. Tem também uma rica produção agrícola familiar orgânica, atrações culturais diversas, pousadas e restaurantes.

E é lá que acontece, nos meses de junho e julho, o Festival de Inverno do Polo de Ecoturismo de São Paulo, organizado pela Rede Ecoturismo Solidário SP – associação com cerca de 120 empreendimentos dos distritos de Parelheiros, Marsilac e Ilha do Bororé, que se juntaram para produzir ações integradas e fomentar o lazer e o turismo locais.

Festas juninas, cavalgadas, trilhas, rotas náuticas na represa, descidas de caiaque, almoços, passeios de jardineira, apresentações musicais, Festa alemã da Colônia e muitas outras atrações são oferecidas durante o período, revelando a diversidade e potencialidade da região.

O Festival surgiu em 2015, envolvendo dezenas de empreendimentos locais mobilizados em torno do Polo de Ecoturismo e do Projeto Ecosol SP. Antes da realização do evento, o inverno era considerado baixa temporada na região. Com o festival foi possível gerar trabalho, renda, emprego e até mesmo novos negócios, como por exemplo cavalgadas, passeios de bicicleta, passeio náutico, trilhas, acampamentos etc. Em sua segunda edição, em 2016, o evento recebeu cerca de 40 mil pessoas.

Ecoturismo na capital paulista

O Polo de Ecoturismo foi criado em 2014 e abrange os distritos de Parelheiros, Marsilac e a Ilha do Bororé. A região fica a cerca de 40 km do centro da capital paulista.

A riqueza de seus atributos culturais, históricos, científicos e naturais – que inclui parques, cachoeiras, pousadas, fazendas agrícolas, formações geológicas e aldeias indígenas -, fazem do local um espaço com características únicas.

Três bacias hidrográficas localizam-se em seu território: Capivari, Guarapiranga e Billings. Quase 25% da área da cidade de São Paulo concentra-se ali, com quilômetros de Mata Atlântica.

A região de Parelheiros tem grande influência alemã e de imigrantes japoneses. O cultivo de hortaliças e plantas ornamentais transformou a região em reduto agrícola da cidade. Dentre os patrimônios locais estão a estação ferroviária Evangelista de Souza, a Capela de São Sebastião, na Ilha do Bororé (de 1904), a Capela Nossa Senhora Aparecida, na Colônia (de 1910) e o Cemitério da Colônia Alemã (de 1829).

Já a Capela do Socorro tem mais de 80% de seu território inserido em área de proteção aos mananciais, responsáveis pelo abastecimento de parte da população da região metropolitana de São Paulo. As represas Guarapiranga e Billings, construídas para abastecer a cidade, criaram um potencial de lazer na região, atraindo chácaras de recreio e clubes nos arredores. Para promover o resgate das tradições e da cultura alemã, descendentes de alemães organizam anualmente a Colônia Fest.

A região inclui ainda o maior tempo messiânico fora do Japão, o Solo Sagrado da Guarapiranga, o Templo Asé Ylê do Hozooane, que dissemina a cultura negra na região e auxilia jovens na procura de emprego, e o Templo Budista Quann Inn, baseado na religião chinesa.

Toda essa diversidade e riqueza começou a ser articulada pela Rede de Ecoturismo Solidário SP num calendário de eventos, que reúne as potencialidades e atrações da região em festivais de inverno e de primavera. A união dos empreendimentos em torno de objetivos comuns tem contribuído para potencializar os atrativos turísticos da região, gerando trabalho e renda para a população local.

Para saber mais sobre a região, clique aqui.

Foto: José Cordeiro/SPTuris

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

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