Feios por fora, bonitos (e deliciosos) por dentro

Para reduzir desperdício de alimentos, rede britânica de supermercados lança caixa com verduras e vegetais “feios”e 30% mais baratos

A iniciativa não é inédita, mas certamente é mais uma, muito bem-vinda, ao universo dos supermercados que querem acabar com o desperdício inaceitável de alimentos no mundo todo.

Em janeiro do ano passado, a rede de supermercados Asda, no Reino Unido (a segunda maior do país), já tinha aderido à campanha iniciada pelos chefs Jamie Oliver e Jimmy Doherty para incentivar a venda e consumo de frutas, verduras e legumes “imperfeitos”, ou seja, vegetais que por razões puramente estéticas – formato irregular ou maiores ou menores do que o habitual – são jogados no lixo.

Agora a novidade lançada pela Asda é uma caixa com uma seleção de itens “imperfeitos”, que custa apenas £3.50, cerca de 30% menos do que o preço dos mesmos vegetais com formato normal. A “wonky vegetable box” (caixa dos vegetais tortos, em tradução livre) tem os seguintes itens, bastante consumidos nesta época de inverno dos ingleses: cenouras, batatas, pimentão, pepino, repolho, alho-poró, nabo e cebola. Segundo a rede de supermercados, a quantidade é suficiente para ser utilizada por uma família de quatro pessoas durante uma semana.

“Nossa wonky vegetable box não trará somente economia a nossos consumidores, mas irá ajudar produtores a levar mais de seus produtos para as prateleiras do mercado”, garante Ian Harrison, diretor da rede Asda.

No final do ano passado, outra rede varejista britânica de alimentos também aderiu ao movimento nacional para reduzir o desperdício de comida. Durante a época de Natal, a Morrisons diminui em 30% o preço dos vegetais imperfeitos.

Estima-se que atualmente 15% das batatas colhidas no Reino Unido não chegam aos supermercados porque são muito grandes, pequenas ou tortas. O mesmo acontece com 10% de cebolas e 8% das cenouras. Sem serem vendidos, estes vegetais acabam sendo jogados fora nas fazendas onde foram plantados.

Uma pesquisa feita com os consumidores da rede Asda revelou que 65% estão dispostos a comprar vegetais “feios”e 75% deles se dizem atraídos quando os preços são mais baixos.

Comida jogada no lixo

Um levantamento conduzido recentemente pela empresa de pesquisas YouGov apontou que uma família de quatro pessoas do Reino Unido desperdiça aproximadamente 11 refeições por mês, algo em torno de £60. Se fizermos a conversão deste valor para nossa moeda, estamos falando em R$ 360. Muito dinheiro!

De acordo com os pequisadores, os britânicos têm noção de que jogam comida fora, mas não este enorme volume. Por ano, 15 milhões de toneladas de alimentos vão parar no lixo no Reino Unido.

Uma das soluções apontadas pelas próprias redes varejistas é flexibilizar as exigências na compra de frutas, verduras e legumes. “Temos que garantir que os produtores consigam vender toda sua colheita”, ressalta Ian Harrison, da Asda.

Outra alternativa é a que foi tomada na França, como mostramos neste outro post aqui no Conexão Planeta. Por lá, foi aprovada uma lei que obriga todos os supermercados a doarem alimentos não vendidos.

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Alimentos “feios” dão oportunidades a pessoas necessitadas na Espanha

Foto: Divulgação/Asda

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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