Falta de água pode atingir mais de 5 bilhões de pessoas no mundo até 2050

falta de água pode afetar 5 bilhões até 2050

O ser humano sempre acreditou que a água era um recurso natural infinito. Afinal, mais de 70% da superfície da Terra é coberta por ela em estado líquido. Todavia, deste total, quase 98% aproximadamente está nos oceanos: água salgada, imprópria para consumo.

Nas últimas décadas, mais e mais cidades ao redor do planeta enfrentaram, em algum momento, uma crise hídrica. Em 2015, os paulistanos viram o principal sistema que abastece a maior capital brasileira entrar em colapso. Foi necessário retirar água do chamado “volume morto” da represa da Cantareira para poder manter as torneiras funcionando.

Agora, um novo alerta feito pelas Nações Unidas faz uma previsão assustadora: cerca de 5 bilhões de pessoas podem sofrer com escassez de água até 2050, provocada pelas mudanças climáticas e a exploração excessiva das fontes hídricas. Desde 1990, a poluição em quase todos os rios da Ásia, África e América Latina só piora.

Os dados fazem parte do novo relatório lançado pela UN Water, agência da ONU que trabalha na área de saneamento e água. World Water Development Report 2018 – Natured Based Solutions for Water foi divulgado ontem (18/03), durante a abertura do Fórum Mundial da Água, que está sendo realizado em Brasília.

Segundo o relatório, a demanda global por água tem crescido, em média, 1% por ano, impulsionada pelo crescimento da população, desenvolvimento econômico e mudanças nos hábitos de consumo. Ao contrário do passado, no futuro, a demanda industrial e residencial por água irá aumentar mais do que a da agricultura, mesmo que o setor continue sendo ainda, o principal responsável pelo consumo desse recurso. E será nos países em desenvolvimento que a “necessidade” por água será maior.

O que o estudo elaborado pelos especialistas da ONU revela, entretanto, é que soluções inspiradas na natureza podem ajudar a reverter esse quadro e minimizar os efeitos da crise hídrica futura. Alguns desses exemplos são técnicas de retenção de água no solo, o uso de telhados verdes e a construção de áreas úmidas. Na agricultura, o estudo recomenda a troca da irrigação pelo reuso de água da chuva e a rotatividade de cultivos para manter a fertilidade do solo.

“Precisamos de novas soluções para a gestão dos recursos hídricos para compensar os crescentes desafios à segurança da água, decorrentes do crescimento populacional e das mudanças climáticas. Este relatório propõe uma resposta inovadora que, de fato, existe há milhares de anos: soluções baseadas na natureza”, afirma Audrey Azoulay, diretora da Unesco. “Hoje, mais do que nunca, devemos trabalhar com a natureza, em vez de contra ela. A demanda por água está prevista para aumentar em todos os setores. O desafio que todos devemos enfrentar é atender a ela de forma a não agravar os impactos negativos nos ecossistemas”.

Ainda hoje, mais de 2 bilhões de pessoas não têm acesso à água potável e mais de 4 bilhões não possuem saneamento básico em suas casas.

Com a expectativa de que a população mundial passe de 7,7 bilhões para 9,4 bilhões em 2050, o desafio de garantir água para todos só cresce.

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Foto: United Nations Photo/Creative Commons/Flickr

 

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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