Faça xixi ao ar livre em São Francisco (ou não)

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Vamos começar pelo clichê: carnaval é tempo de sair atrás dos bloquinhos e beber com os amigos, certo? E sempre há aquele amigo, talvez não o seu favorito, que não se segura até chegar ao banheiro e faz xixi na rua. Por conta disso, para quem vive ou trabalha na rota de passagem dos foliões, o carnaval se faz notar mais pelo odor típico e desagradável de urina do que por um sentimento compartilhado de celebração.

Mas, veja bem… Este não é um problema apenas do carnaval ou do Brasil. Na alemã Hamburgo, no distrito boêmio de Sankt Pauli, por exemplo, há até uma campanha (St. Pauli pinkelt zurück ou St. Pauli urina de volta) realizada por moradores e comerciantes locais contra os wildpinklers – urinadores selvagens, na tradução – com o uso de uma tinta high-tech para cascos de navios que repele a urina de volta para o mijão, se os alvos comuns de água do joelho, como postes, muros e paredes de garagem, forem pintadas com ela. Já em São Francisco, na Califórnia, a tática do departamento de serviços públicos agora está mais para “se não dá para vencê-los, una-se a eles” com a criação de um novo e polêmico mobiliário urbano: urinóis de cimento ao ar livre (foto acima).

Com a privacidade protegida apenas por uma tela de arame e uma lona de plástico, o visitante do Dolores Park pode escolher entre 27 novos urinóis públicos na hora do aperto. As instalações vieram na esteira de um investimento de 20 milhões de dólares na estrutura do parque de seis hectares, que nos seus 60 anos de existência contou com apenas três banheiros instalados, levando muitos a se aliviar, literalmente, atrás da moita.

O problema “wildpinkler” no Dolores Park se agravou nos últimos anos, desde que a área de lazer e esporte passou por um aumento no número de visitantes. Em um sábado de verão, por exemplo, o parque pode receber entre 7 mil e 10 mil pessoas, números que podem dobrar dependendo de eventos como a Dyke March, que reúne ativistas lésbicas anualmente, segundo o San Francisco Recreation and Park Department.

A iniciativa, contudo, não está sozinha entre outras que foram adotadas na última década para conter os urinadores ansiosos de São Francisco que, desde 2002, multa em 500 dólares quem é pego em flagrante fazendo xixi em espaços públicos. No ano passado, a prefeitura pintou 30 muros estratégicos com uma tinta repelente semelhante a que é usada em Hamburgo. E, além disso, a cidade hoje oferece banheiros químicos itinerantes (foto abaixo) que funcionam à luz solar e passam pelo centro em horários específicos, uma ideia que tem sido estudada também por autoridades de Portland, Nova York e Honolulu, nos EUA.

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Uma da razões para receber tanta atenção em São Francisco, no entanto, não tem nada a ver com o odor, como se poderia imaginar. A urina é um dos principais inimigos dos postes de iluminação da cidade, que, na sua maioria, possuem bases de ferro e acabam enferrujados. Em agosto de 2015, um poste de cerca de 10 metros com a base oxidada chegou a ceder e, por pouco, não atingiu um motorista que passava pelo local (foto abaixo). O incidente, que poderia ter sido fatal,  levou a prefeitura a mobilizar seus fiscais para vistoriar 10 mil postes da cidade para evitar que algo pior acontecesse no futuro. É uma perspectiva reveladora para quem pensa que um simples xixi não mata ninguém, né?

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Fotos: Reprodução

É repórter e escreve sobre sustentabilidade desde 2012.

Julio Lamas

É repórter e escreve sobre sustentabilidade desde 2012.

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