Extremos climáticos marcam final de 2015 nos Hemisférios Norte e Sul

incêndio na chapada diamantina, um dos extremos climáticos do final de 2015

Calor fora de época nos Estados Unidos e enchentes catastróficas na Inglaterra. No mundo todo, dezembro está sendo marcado por extremos climáticos – fenômenos como ondas de calor intenso ou inundações, que podem ser desencadeados naturalmente ou serem consequência da atividade humana no planeta, como por exemplo, o aquecimento global, provocado pela alta emissão de gases de efeito estufa.

Nas últimas semanas, milhares de pessoas ficaram desabrigadas no norte da Inglaterra e tiveram que abandonar suas casas por causa de enchentes na região de Cumbria, Lancashire, Greater Manchester e Yorkshire.  Segundo o  Met Office, organização do Reino Unido que estuda o clima, dezembro registrou índices recordes de chuva. E a situação deve piorar. Na madrugada desta terça (29/12) para quarta (30/12) uma nova tempestade deve atingir a costa britânica. Frank, como foi chamada a nova tempestade – já é a sexta da estação -, deve trazer mais vendavais não só para a Inglaterra, mas também para Irlanda do Norte, Escócia e Wales.  Autoridades estimam que os prejuízos no Reino Unido chegam a £5 bilhões.

Já na costa leste americana, a situação foi oposta. O calor registrado no mês de dezembro foi recorde. Temperaturas tão altas não eram sentidas há mais de 140 anos. Da Flórida a Nova York, os americanos viram os termômetros indicarem mais de 20º C, algo raríssimo para esta época do ano. Geralmente os novaiorquinos têm um Natal gelado, com neve, inclusive. Enquanto isso, no sul e centro do país, tornados, enchentes e nevascas mataram mais de 40 pessoas no Texas, Missouri e New Mexico.

Na Europa, a Espanha se viu surpreendida com temperaturas acima da média também em dezembro, que provocaram incêndios nas regiões de Cantabria e Asturias.

Extremos climáticos abaixo da linha do Equador

Em áreas de clima tropical e subtropical, este mês é marcado pelo que é considerado o mais forte dos El Ñinos das últimas décadas. O fenômeno já causou sérios problemas aos países do Hemisfério Sul.

Quase 150 mil pessoas estão desabrigadas devido às enchentes ocorridas no Uruguai, Argentina e extremo sul do Brasil, segundo dados do jornal The Guardian.

Nos últimos dias, no Rio de Janeiro, os cariocas também sentiram os efeitos da onda de calor intensa que paira sobre o estado. A sensação térmica na capital foi de 55ºC.

Na Bahia, desde novembro, o Parque Nacional da Chapada Diamantina é devastado por um incêndio de grandes proporções, provocado pela falta de chuva no estado, que afeta seriamente toda a região nordeste do país. Estima-se que foram destruídos 51 mil hectares de vegetação (veja imagem que abre este post). Nos últimos dias, bombeiros conseguiram controlar o fogo e várias trilhas do parque foram reabertas para visitação, mas hotéis e pousadas perto da Chapada afirmam que 50% das reservas foram canceladas.

Agências humanitárias alertam para as consequências do El Niño em países da África, Caribe e Ásia, onde secas prolongadas impediram o crescimento de lavouras. Nestes lugares, espera-se que milhares de pessoas fiquem sem ter o que comer nos próximos meses.

O El Niño é um fenômeno natural que acontece em média a cada quatro a sete anos. É provocado por uma mudança no comportamento dos ventos alísios no Oceano Pacífico, perto do Equador. O aquecimento da água na superfície da costa oeste do Pacífico acaba deflagrando chuvas mais fortes na costa oeste das Américas e secas ainda mais intensas na Austrália, Ásia e África.

praia lotada no rio de janeiro, extremos climáticos
Praia lotada no Rio de Janeiro: sensação térmica de 55oC

 

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Fotos: Rui Costa/Fotos Públicas (Chapada Diamantina na abertura) e Fernando Frazão/Fotos Públicas (Rio de Janeiro)

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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