Europa vai eleger a “Tree of the Year” para celebrar seus patrimônios naturais e culturais

Miss Universo, que nada! Europa vai eleger a Tree of the Year 2017

Elas são lindas, majestosas e estão de pé há muitos séculos. São árvores que acompanharam a vida de gerações e gerações de famílias e, por esta razão, se fizeram muito queridas pelos moradores dos locais onde foram plantadas.

E uma delas, entre dezesseis, será eleita a European Tree of the Year 2017, uma competição que escolherá a árvore do ano no continente europeu. A grande vencedora não será selecionada por sua beleza, tamanho ou idade, mas por sua história e conexão com as pessoas. “Procuramos árvores que se tornaram parte da comunidade”, explicam os organizadores.

Um exemplo é este carvalho gigantesco (Quercus robur), na foto que abre este post. Com mais de 500 anos, ele fica em Gales, no Reino Unido. Tem sido cuidado por diversas gerações da mesma família. Há uma foto de 1901, de um casamento dos Jones, embaixo de sua copa. Em 2015, entretanto, planos para a construção de uma estrada ameaçavam o carvalho. Uma petição, com 5 mil assinaturas, conseguiu que o trajeto fosse revisto e a árvore permaneceu onde sempre esteve.

O objetivo da competição é fazer com que as árvores sejam tratadas como parte na nossa herança natural e cultural, e desta maneira, seja chamada a atenção sobre a importância de sua conservação e proteção.

A ideia é que, assim como a Torre Eiffel, em Paris, ou a Catedral Sagrada Família, em Barcelona, atraem milhões de turistas todos os anos, estas árvores centenárias também sejam tidas como atrações naturais de seus países.

O concurso europeu nasceu em 2011 e foi inspirado por uma iniciativa similar e bastante popular, organizada há muitos anos, pela Czech Environmental Partnership Foundation, uma entidade de proteção ambiental na República Tcheca. Há cinco anos, eram cinco países inscritos, agora já são 16.

Os finalistas do European Tree of the Year 2017 foram os ganhadores em seus respectivos países. O resultado da competição será divulgado numa cerimônia em Bruxelas, em 21 de março, Dia Internacional das Florestas.

O sucesso da competição europeia já ganhou seguidores em outras partes do mundo, onde estão sendo realizadas iniciativas do mesmo tipo, como por exemplo, o Asian Tree of the Year 2017.

Conheça abaixo algumas das finalistas à Árvore do Ano da Europa e suas emocionantes histórias:

Lime Tree – República Tcheca
Esta árvore, da espécie Tília-cordata, tem aproximadamente 800 anos. Localizada numa propriedade no vilarejo de Lipka, entre uma estrada e um antigo cemitério, já viu muitas pessoas chegarem e partirem deste mundo. Dizem que o casal que fizer amor sob sua copa, irá ter um amor que poderá superar qualquer dificuldade.


Céron Park Saman – França
Esta árvore da chuva, também conhecida como chorona (Albizia saman), protegia plantações de café e cacau. É tida como uma das maiores árvores da Lesser Antilles. Já sobrevivu a diversos ciclones e também a uma erupção vulcânica.


Climbing Beech – Alemanha
Esta faia-europeia (Fagus sylvatica) fica atrás de uma escola da cidade alemã de Hoppenrade. Há 175 anos, ela traz alegria, sombra e conhecimento para os alunos que por ela passam. Muitas aulas ao ar livre são feitas sob seus troncos, no outono as crianças aprendem sobre a queda de suas folhas e na primavera, seus brotos encantam a todos, que comemoram o fim de mais uma estação de frio.

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Fotos: divulgação Tree of the Year 2017

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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