Estudantes sobreviventes de tiroteio nos EUA ganham Prêmio Internacional pela Paz

Estudantes sobreviventes de tiroteio nos EUA ganham Prêmio Internacional pela Paz

Eles superaram o trauma e se tornaram ativistas contra as armas nos Estados Unidos. Depois de presenciar o assassinato brutal de colegas na escola Marjory Stoneman Douglas, na cidade de Parkland, na Flórida, em fevereiro deste ano, quando 17 jovens foram mortos, eles foram para as ruas no movimento March for Our Lives para pressionar o governo de seu país a dar um basta aos constantes massacres que tiram a vida de centenas de americanos todos os anos.

Por esta razão, David Hogg, Emma González, Jaclyn Corin e Matt Deitsch ganharam esta semana o International Children’s Peace Prize 2018. O reconhecimento é concedido anualmente a crianças e jovens que lutam pelos direitos de outras crianças. A premiação é uma iniciativa da KidsRights Foundation, que tem sede na Holanda.

Os jovens americanos receberam o prêmio das mãos do Nobel da Paz, o arcebispo Desmond Tutu, que combateu o apartheid em seu país natal, a África do Sul. Em 2013, o título foi dado à também Nobel da Paz, a paquistanesa Malala Yousafzai.

Em março último, a avenida Pensilvânia, no centro da capital americana, Washington D.C., foi tomada por cerca de 800 mil pessoas, em uma manifestação emocionante pelo controle de armas e contra os tiroteios em massa.

Convocado nas redes sociais pelos estudantes de Parkland, o movimento conseguiu rapidamente a adesão de mais de 800 cidades americanas, além de outras, pelo mundo, como Tóquio, Londres, Paris, Sidney e Berlim.

“A campanha pacífica para exigir escolas e comunidades seguras e a erradicação da violência armada é uma reminiscência de outros grandes movimentos pela paz da história”, escreveu Tutu. “Eu admiro essas crianças, cuja poderosa mensagem é amplificada por sua energia juvenil e uma crença inabalável de que as crianças não só podem, como devem melhorar seus próprios futuros.”

O porte de armas é garantido pela Constituição nos Estados Unidos e o lobby de sua indústria é fortíssimo, tanto que, durante os oitos anos de seu mandato, o ex-presidente Barack Obama tentou discutir a revogação da lei, mas nunca obteve êxito.

*Com informações da CNN

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Foto: reprodução Twitter March for Our Lives

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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