Em vídeo clipe, alunas da Poli/USP escancaram o machismo e o preconceito na universidade

Para participar de uma das provas de tradicional gincana Integrapoli entre os centros acadêmicos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP)  de um jeito marcante, alunas do curso de Engenharia Civil escolheram “protestar” contra o preconceito e o machismo que enfrentam diariamente no ambiente da universidade.

Produziram, então, videoclipe (assista no final deste post) inspirado na versão de Clarice Falcão, de 2015, para a música Survivor, cantada pelo grupo Destiny’s Child, em 2011, do qual fazia parte a cantora Beyoncé (assista aos dois, no final deste post).

Em sua interpretação, as estudantes aparecem pintadas com algumas palavras ou frases ditas em momentos de assédio moral ou de ações registradas no campus.Eis algumas: “você vai desistir”, “mal amada”, “estuprada”, “preta”, “sexo frágil”, “fútil”, “cara de empregada”, “gorda” “peão não respeita mulher”.

Em seguida, apagam essas inscrições do corpo ou adicionando outras (como, por exemplo, “… e engenheira”, que completam sua posição sobre o tema). Também pintam os lábios com batom preto e o rosto com tinta amarela, com ar de deboche. A ideia é derrubar estereótipos típicos entre engenheiros e na área de construção. Nada foi combinado. Cada uma escreveu o que quis na frente da câmera (num estúdio improvisado numa das salas de aula da universidade), destacou o que mais lhe toca.

A vice-diretora da Poli, Liedi Bernucci (foto ao lado) também aderiu à manifestação, mas sem pinturas, apenas usando capacete de engenheira.

E, assim, as meninas ganharam a competição na categoria vídeo e, em pouco tempo no ar, o clipe registrou milhares de visualizações. Mais um protesto que se soma aos diversos que têm tomado as redes sociais e estão pulsando também a partir de situações reais, que se tornaram corriqueiras, mas que muita gente não suporta mais. Entre eles, estão os episódios de abuso do ator José Mayer contra figurinista e do médico Marcos contra a estudante Emily, no Big Brother Brasil. Ambos na TV Globo.

O caso do programa BBB teve destaque no noticiário e nas redes esta semana e culminou com a expulsão do moço da casa, pela direção do programa, após a visita de delegada de polícia para averiguar as agressões. Aos poucos, a sociedade – pessoas de qualquer gênero – percebe quão absurdo é desqualificar as mulheres e como isso se tornou uma doença nos nossos tempos. É trabalho de formiguinha, que já começa a mostrar bons resultados. Resistir é preciso.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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