Estimativas apontam que 480 milhões de animais morreram nos incêndios da Austrália

Estimativas apontam que mais de 480 milhões de animais morreram nos incêndios na Austrália

*Atualizado em 06/01/20

A tragédia está ainda longe de ter fim, mas os prejuízos ambientais são irreparáveis. Mostramos aqui, em outra reportagem, que desde setembro, a Austrália enfrenta incêndios, devastação e mortes. Quase 6 milhões de hectares de vegetação já foram destruídos, uma área maior do que a Bélgica e o Haiti juntos. Até o momento, 23 pessoas morreram e mais de 1 mil coalas perderam a vida. E o verão está apenas começando no país.

Todavia, não são apenas os coalas que foram impactados (acredita-se que 30% da sua população sucumbiu às chamas). Pesquisadores da Universidade de Sidney divulgaram uma estatística alarmante: 480 milhões de animais podem ter morrido por causa dos incêndios florestais, somente na região de New South Wales, a mais impactada pelo fogo.

Segundo o relatório, que tem como autor principal o professor Chris Dickman, a conta envolve apenas mamíferos, répteis e aves e não inclui insetos, morcegos e sapos.

“Muitos dos animais afetados provavelmente foram mortos diretamente pelos incêndios, enquanto outros padeceram mais tarde, devido ao esgotamento de alimentos e recursos de abrigo e à predação de gatos selvagens introduzidos e raposas vermelhas”, diz o estudo.

Para chegar a esse número de 480 milhões de animais mortos, Dickman se baseou em dados de um relatório de 2007 do WWF Internacional sobre os impactos do desmatamento na vida selvagem australiana em New South Wales. Os autores então obtiveram estimativas da densidade populacional de mamíferos na região e depois, multiplicaram as mesmas pelas áreas de vegetação desmatadas.

O mais assustador é que os pesquisadores explicam que empregaram estimativas altamente conservadoras ao fazer seus cálculos. “A verdadeira mortalidade provavelmente será muito mais alta do que a estimada”, acreditam.

Coala resgatado e sendo tratado em hospital especializado

Os autores do estudo ressaltam que a Austrália possui uma rica e impressionante diversidade de mamíferos, com mais de 300 espécies nativas. Cerca de 34 espécies e subespécies delas foram extintas na nos últimos 200 anos, a maior taxa de perda para qualquer região do mundo.

O primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, está sendo duramente criticado e hostilizado pela população, que o condena por não tomar medidas eficientes para controlar a tragédia e também, por sua política que ignora os efeitos das mudanças climáticas.

Infelizmente, a previsão dos meteorologistas para os próximos dias não é boa. A temperatura deve passar dos 40o graus no final de semana o e o temor é que as chamas se alastrem ainda mais.

*Texto alterado para atualização do número de vítimas humanas fatais

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Fotos: reprodução Facebook NSW National Parks and Wildlife Service / Olivia Kimber e Koala Conservation Australia

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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