Estátuas mascaradas “protestam” contra projeto de lei que mantém ônibus a diesel por mais 20 anos em São Paulo

Estudos comprovam que a poluição em São Paulo mata mais que acidentes no trânsito, câncer de mama e Aids: em 2015, a poluição provocou 31 mortes precoces por dia, o que equivale a mais de 11.300 no ano. Mesmo assim, tem gente como o vereador Milton Leite, do DEM, que defende a permanência dos ônibus a diesel por mais 20 anos. Tanto é que ele criou um Projeto de Lei para manter os ônibus a diesel (!!) em circulação por mais 20 anos, que já é chamado de PL da Poluição: Projeto de Lei (PL) 300/2017.

Mas a quem esse adiamento interessa? Aos cidadãos, com certeza, não!

Se esse projeto passar na Câmara Municipal, teremosr que conviver até 2037 com a fumaça tóxica provocada pelo diesel que mata 11 mil pessoas por ano, sendo 4 mil pessoas por causa dos ônibus movidos a esse combustível sujo!!

A questão é que, como geralmente os interesses econômicos falam mas alto do que os interesses da população, do que sua saúde e sua vida, as chances de esse projeto ser aprovado são grandes. Por isso, os paulistanos e todos que vivem em São Paulo têm que protestar e tentar impedir que essa prática se perpetue.

Em fevereiro deste ano, o Greenpeace realizou campanha para que a população pressionasse a prefeitura de São Paulo – assumida por João Dória no início do ano – a cumprir a lei e tirasse os ônibus a diesel das ruas: Você quer ônibus não poluentes em São Paulo? O prefeito ignorou. Claro!

Na semana passada, em 17/8 pra ser mais exata, três organizações – Minha Sampa, Greenpeace e Cidade dos Sonhos – se juntaram para lançar nova campanha nas ruas e online: Parem as Máquinas Mortíferas! Nesse link, você faz pressão junto aos vereadores para pedir o arquivamento do PL da Poluição. Eu já fiz!

E para chamar a atenção das pessoas nas ruas, os ativistas colocaram máscaras contra poluição neles próprios e em várias estátuas famosas da capital paulistana, entre elas o Monumento às Bandeiras, abaixo.

Foi assim que amanheceram, ‘protegidas contra o ar poluído’ de São Paulo, as seguintes ‘personalidades’: o músico Adoniram Barbosa, na Praça Dom Orione, no Bexiga; o general venezuelano Francisco de Miranda, na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista (que aparece no destaque deste post); o historiador Afonso Taunay (filho do visconde), no Largo do Arouche; o médico, biólogo e botânico (inventor da penicilina) Alexander Fleming, na Mooca; o empresário Nicolau Scarpa (abaixo) no bairro dos Jardins; e o médico polonês Luiz Lázaro, na Praça da República. Assista ao vídeo.

E a ação ainda distribuiu folhetos contando o que está acontecendo nos terminais de ônibus Jardim Ângela, Guaianazes, Cachoeirinha, Barra Funda, na estação República do metrô e nos hospitais Santa Marcelina e M’Boi Mirim.

Karolina Bergamo, do Minha Sampa, ficou bem animada com a ação, mas destaca: “A repercussão da nossa ação foi grande e conseguimos trazer o assunto para o debate, mas ainda há muito a ser feito! Precisamos continuar pressionando os vereadores para mostrar que não aceitaremos a aprovação de um projeto que legitima uma transição tão longa e que as empresas não sejam punidas se não se adequarem no prazo”.

Não adianta! A única solução para preservar vidas é investir em ônibus que não poluem. “As mortes anuais estão, hoje, nas mãos do vereador Milton Leite. A cidade de São Paulo não pode mais prejudicar a saúde de seus cidadãos e desperdiçar bilhões de reais em perda de produtividade e gastos com saúde pública”, lembra Davi Martins, do Greenpeace.

Do contrário, daqui a pouco não poderemos mais sair às ruas paulistanas sem usar as máscaras que hoje ‘enfeitam’ as estátuas, como fazem os chineses em algumas de suas cidades mais poluídas.

Vamos pressionar, então? Parem as Máquinas Mortíferas!

Fotos: Paulo Pereira/Minha Sampa (estátuas) e Bárbara Veiga/Greenpeace (distribuição dos folhetos) 

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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