Estações de metrô de Londres ganham horta comunitária e miniusinas solares

horta comunitária na estação de trem de Londres

Nos últimos meses, os usuários de metrô da capital da Inglaterra têm se deparado com estações mais verdes e bonitas. É que hortas comunitárias estão sendo construídas ali, através do projeto Energy Garden.

Ao lado de plataformas e estações, estão sendo plantados pés de couve, repolho, batata, manjericão, tomilho, salsinha, lavanda e uma série de outras ervas, verduras e legumes. Até o momento, 22 estações de superfície já ganharam os jardins, mas a meta é que 50 delas recebam a novidade nos próximos dois anos. O dinheiro para o desenvolvimento do projeto foi financiado por um fundo de uma loteria do país.

Além das hortas, alguns Energy Garden têm miniusinas de energia solar. Um conjunto de painéis fotovoltaicos irá produzir cerca de 2 megawatts de eletricidade. Além de promover o uso de fontes renováveis entre os londrinos, as pequenas usinas atendem a demanda do jardim, utilizando a luz do sol para fazer funcionar os sistemas de irrigação de água e iluminação das hortas. O dinheiro excedente, obtido com a geração de energia, será usado no pagamento de voluntários, compra de sementes e gastos com manutenção.

Uma das coisas mais bacanas do projeto é que a comunidade participa ativamente de sua realização. Para começar, são as pessoas que encaminham pedidos para que um Energy Garden seja instalado na estação de metrô mais próxima de sua casa. Se a ideia for aprovada, a comunidade apresenta um primeiro projeto de como imagina o layout da horta. Em uma segunda fase, há uma discussão conjunta, até que, a planta final é aprovada por todos.

Comunidade celebrando a inauguração de um novo jardim

No momento da inauguração do jardim, a comunidade e seus voluntários passam a ser os proprietários dele, e com isso, responsáveis por sua manutenção, ajudados por alunos de escolas da área.

Benefícios para todos: comunidade e cidade

A iniciativa Energy Garden, uma parceria entre a organização não-governamental Groundwork London, a empresa de energias alternativas Repowering London e o Departamento de Transportes de Londres, busca diversos objetivos. Abaixo, os principais:

– Deixar as estações de metrô mais bonitas;
– Apoiar o ativismo individual e comunitário;
– Aumentar a conscientização sobre a geração de energias renováveis;
– Criar jardins comunitários;
– Inspirar os jovens da comunidade e oferecer oportunidades de trabalho e estágios;
– Ajudar a diminuir o problema da desigualdade e fome em Londres;
– Criar um projeto sustentável, de longo prazo, pelos próximos 20 anos.

Vale lembrar que Londres é uma das cidades mais poluídas da Europa. Um dos benefícios de tornar mais verdes as estações de metrô (tubes, como chamam os ingleses) é melhorar a qualidade do ar. Em alguns dos Energy Gardens, foram instaladas paredes com plantas com este propósito também.

Parede verde: mais beleza e ar puro na estação de metrô

Outro viés da iniciativa é estimular hábitos alimentares mais saudáveis na população. Pesquisas revelam que pessoas em contato com áreas verdes melhoram seu bem-estar e ingerem uma dieta mais balanceada, com legumes, verduras e frutas.

Voluntária ajudando na manutenção do jardim

O idealizador deste projeto fantástico é o empreendedor nascido no Uruguai, educado nos Estados Unidos e hoje morador de Londres, Agamemnon Otero. Um ativista incansável, ele acredita no empoderamento das pessoas para diminuir a desigualdade social.

Agamemnon Otero, à direita, em uma das hortas do Energy Garden

Além do Energy Garden, criado em 2011, o empreendedor social trabalha em diversas outras iniciativas. Por seu entusiasmo e persistência, já recebeu inúmeros reconhecimentos e prêmios. Foi ele que ganhou, em 2015, as 750 mil libras do People’s Postcode Lottery Dream Fund para colocar os jardins comunitários de pé.

Fotos: divulgação Energy Garden

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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