Escolas verdes: alunos mais saudáveis e notas melhores

sidwell friends school

A imagem que você vê na abertura desta reportagem é da Sidwell Friends School, em Washington D.C., na capital dos Estados Unidos. A fachada de madeira foi construída com madeira recuperada de barris de vinho. O deque também foi erguido com material reciclado – antigas estacas do porto de Baltimore, cidade próxima dali.

No telhado verde do colégio há plantas e horta, além de painéis fotovoltaicos e um sistema que permite o uso de ventilação natural na parte interna do edifício, reduzindo assim o uso de ar condicionado. Há ainda uma espécie de lago, onde a água utilizada na escola é tratada ali mesmo e reutilizada nos banheiros.

Mas na Sidwell, a sustentabilidade também é levada para o programa pedagógico na sala de aula. Os alunos aprendem no dia a dia como é viver de maneira mais saudável e impactando menos o meio ambiente.

Gregory KatsOs filhos de Gregory Kats (assim como as filhas do presidente Barack Obama) estudam na Sidwell. Presidente da Capital-E, empresa especializada em construções sustentáveis e autor do estudo Greening America’s Schools: Costs and Benefits (Tornando as Escolas Americanas mais Verdes: Custos e Benefícios, em tradução livre), em 2010, Kats lançou no ano passado uma nova obra sobre o tema: Tornando nosso ambiente construído mais sustentável*.

Na entrevista que segue, o especialista revela as principais vantagens das escolas sustentáveis e fala da importância de tornar as construções mais verdes para a vida das cidades.

O que é uma escola sustentável ou verde?
Uma escola concebida para ser saudável e ter um uso substancialmente menor de energia e água e baixo impacto de CO2. Nos Estados Unidos, geralmente escolas verdes têm a certificação LEED (selo de construção sustentável) ou outros selos.   

Quais são os principais benefícios de escolas com construções sustentáveis?
Escolas verdes conseguem melhorar a saúde e as notas dos alunos, assim como reduzir índices de absenteísmo. São melhoras mensuráveis. Crianças com problemas respiratórios como alergias, asma e bronquite têm menos crises. Cada vez mais, escolas e universidades verdes são percebidas como tendo melhores marcas. Atualmente quase todas as mais importantes escolas particulares e universidades nos Estados Unidos e Europa divulgam o quão verde elas são – é algo com que os alunos realmente se importam. E os pais gostam porque, a longo prazo, construções sustentáveis geram menores custos operacionais.

Por que a longo prazo estas escolas são mais rentáveis?
Edifícios sustentáveis têm gastos 30 a 35% em média mais baixos do que as convencionais (gastos com água, energia, manutenção). Isto influi na redução dos custos a longo prazo. A mudança para materiais alternativos, como concreto polido, por exemplo, diminui os gastos com operação e manutenção. Como estas escolas apresentam índices mais baixos de doenças, consequentemente caem os gastos com substituição e troca de professores e funcionários.

Adianta ter uma arquitetura sustentável sem investir na mudança de comportamento e hábitos de alunos e professores?
Projetar uma escola mais verde é sempre o primeiro passo. E essencial. Mas também é fundamental que todos os envolvidos no dia a dia da instituição se tornem mais conscientes e sustentáveis. Os métodos de limpeza precisam mudar, assim como a escolha de suprimentos. Escolas verdes devem expor informações e material educativo para que estudantes e professores aprendam como a água pode ser economizada, o consumo de eletricidade reduzido. Este material pode incluir infográficos e displays dinâmicos mostrando comparações da economia de energia ou emissão de CO2 em relação a construções tradicionais. A grande maioria das escolas verdes incorpora todo este conteúdo ao programa pedagógico.

Qual a importância de ter mais construções sustentáveis nas cidades?
Enorme. Construções verdes utilizam menos água e energia. Poluem menos e integram e conectam melhor o tecido da cidade. Elas fazem os espaços urbanos serem mais agradáveis, saudáveis e atraentes. Um dos maiores custos das cidades é o fornecimento de água potável e tratada. Este tipo de construção utiliza este recurso numa escala muito menor.

Como políticas públicas podem estimular a construção de mais edifícios verdes?
Ao acelerar permissões de construção, flexibilizar restrições, entre outras práticas. Muitas delas, não custam nada às administrações públicas. Iniciativas como estas provocam um boom nas construções sustentáveis. Ao criar incentivos fortes para este setor da construção civil, as cidades ganham obras melhores, mas com custos menores, e resultados mais saudáveis.

O senhor acredita que instituições de ensino têm papel fundamental na mudança para um estilo de vida mais sustentável em nossas sociedades?
Sim. Porque 1/7 de nossas populações passam o tempo delas em escolas e porque quando a criança aprende sobre sustentabilidade ela levará este conhecimento – de que a sustentabilidade é possível, desejável, agradável e custo efetiva – para a vida adulta dela. A partir do momento que adultos e crianças conhecem, experimentam e comparam escolas verdes com outros tipos de edifícios tradicionais, eles nunca mais perguntam a razão pela qual devemos fazer construções sustentáveis, eles perguntam por que deveríamos continuar a viver, trabalhar ou estudar em locais que são insalubres e ineficientes se eles já sabem que existe algo muito melhor.

*A versão digital de “Tornando nosso ambiente construído mais sustentável” foi lançada em português em versão digital pelo Secovi-SP (Sindicato da Habitação). O download da obra pode ser feito gratuitamente no site da entidade

*Greening America’s Schools: Costs and Benefits 

Foto: Ana Ka’ahanui

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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