Escola rural do Tocantins ganha prêmio internacional de arquitetura Building of the Year 2018


Projeto de escola rural do Tocantins ganha prêmio internacional de arquitetura, o Building of the Year 2018

A cidade de Formoso do Araguaia fica ao sul do estado do Tocantins e a 320 km da capital Palmas, em uma região que une três biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado e Pantanal. É lá, que está situada a Escola Rural Fazenda Canuanã, onde estudam e vivem, sob regime de internato, cerca de 800 alunos. Ou seja, ela é sala de aula e a casa para jovens entre 7 e 18 anos.

Foi esta escola, em uma área tão desconhecida do Brasil, que ganhou o prêmio Building of the Year 2018, na categoria Arquitetura Educacional, concedido pela renomada publicação ArchDaily.

No total, quinze construções foram escolhidas, por voto popular, dentre milhares de concorrentes. Elas foram premiadas por sua beleza, inteligência, criatividade e serviço prestado à comunidade em que estão inseridas.

A Fazenda Canuanã é mantida pela Fundação Bradesco há 45 anos. Foi a instituição que convidou o escritório do arquiteto e designer Marcelo Rosenbaum a apresentar um projeto para redesenhar os espaços de moradias e convivência do alunos, em uma área de 25 mil m2. O projeto ainda era o mesmo da década de 70.

“A escola acolhe infâncias e pensamentos de milhares de crianças que crescem ali, protegidas e cuidadas, mas ao mesmo tempo apartadas de suas referências culturais e familiares e distantes de sua ancestralidade”, contou o arquiteto em seu site.

“Foi um desafio infinitamente maior do que um simples redesenho de espaços. Em Canuanã, era preciso construir as paredes com as histórias e os desejos de cada criança, era preciso ouvir o que elas tinham a dizer. A nossa vontade é que elas pudessem reconquistar memórias e referências pessoais e trazê-las para dentro de um espaço comum; uma forma de construir o entendimento de suas ancestralidades”, explica.

A ideia de Rosenbaum era conectar o projeto com a cultura e as tradições locais: “o tijolo de adobe, a madeira, a intuição do trançado da palha, a casa do caboclo, a importância do rio, juntos, tinham que estar presentes ali”.

O primeiro passo foi ouvir os jovens e seus desejos através de muitos bate-papos e atividades. No processo chamado de “Design Essencial”, a equipe do arquiteto conversou não somente com os estudantes, mas também aprendeu com indígenas e caboclos mais sobre as técnicas utilizadas naquela região. A alma de tudo era a co-criação.

Com a parceria do escritório de arquitetura de Curitiba, Aleph Zero, foram construídos dormitórios menores, todavia, mais amplos e arejados, com capacidade para apenas seis alunos, permitindo assim que eles tenham maior privacidade e individualidade.

Ao lado dos dormitórios ficaram os ambientes de laser, como sala de TV, espaço para leitura, varandas, pátios e redários, concebidos para melhorar a qualidade de vida e refinar o laço entre alunos porque afinal “Canuanã é minha casa”.

Entre as técnicas utilizadas no projeto está o uso da madeira laminada colada (MLC), que permite a fabricação de peças de grandes dimensões proveniente de florestas plantadas em áreas de recuperação. “Essa tecnologia possibilita curvas, seções variáveis e avanços que aumentam muito o campo de aplicação de madeira na construção”, explica Rosembaum. “Ao mesmo tempo, usamos como matéria-prima tijolos de adobe, contrapondo passado e futuro em uma proposta única”.

Este não é o primeiro reconhecimento recebido pelo projeto da Fazenda Canuanã. Ele também foi vencedor do 4º prêmio de arquitetura Instituto Tomie Ohtake AkzoNobel e ganhador do American Architecture Prize 2017 – na categoria Habitação Social.

Veja abaixo fotos do projeto finalizado e tão premiado da escola rural do Tocantins:

A fachada da escola em Formoso do Araguaia

Entrada dos dormitórios

 

Quartos menores permitem maior privacidades para os alunos


Foram utilizadas técnicas de construção da região


Espaço de convivência


Alunos participaram ativamente do processo de decisão


Marcelo Rosenbaum, ao lado de indígenas que ajudaram na concepção do projeto

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Fotos: divulgação/Leonardo Finotti 

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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