‘Escola de Verão da Amazônia’ promove vivência para futuros líderes em comunidades ribeirinhas. Inscrições até 1/3!

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Se você tem mais de 18 anos, é engajado, tem espírito de liderança e se interessa pelo desenvolvimento sustentável da região amazônica vai gostar desta iniciativa: a segunda edição da Escola de Verão da Amazônia (Amazon Summer School), realizada pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) em parceria com a rede SDSN-Amazônia, que acontecerá de 12/7 a 1/8.

As inscrições vão até 1º. de março e podem ser feitas pelo site da Escola. Todos os inscritos passarão por entrevistas com os coordenadores da iniciativa. Não há restrições a respeito da formação e da área de atuação dos interessados já que a intenção é reunir uma turma multidisciplinar.

A programação foi definida para oferecer uma experiência de aprendizagem única sobre conceitos e práticas da sustentabilidade e para educar líderes que possam efetuar transformações importantes na sociedade em que vivem. Com base no uso de ferramentas de inovação social – como Design Thinking e Teoria U -, os participantes poderão aplicar conceitos como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para solucionar os desafios da atualidade.

“Além disso, os participantes terão a oportunidade de se conectar com a natureza, com as pessoas que vivem nela e se inspirar com o que a floresta pode oferecer. Será uma grande troca”, afirma Virgílio Viana, superintendente geral da FAS.

E Raquel Luna, coordenadora da Escola de Verão, completa: “Criamos este projeto por acreditar que o nosso conhecimento acumulado sobre desenvolvimento sustentável na Amazônia pode ser compartilhado e replicado em outras partes do mundo. Além disso, é da natureza dos ribeirinhos aplicar a sustentabilidade. Com a união desses aspectos, acreditamos ser possível mostrar como os ODS podem funcionar na prática”.

O programa

escola-de-verao-amazonia-2-800O curso será realizado em comunidades ribeirinhas, entre elas a Tumbira, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro. Durante duas semanas, especialistas, líderes de diferentes setores e membros das comunidades locais compartilharão histórias, aprendizados, práticas e conceitos para enriquecer o conhecimento do participante e sua compreensão sobre seu papel no desafio da sustentabilidade.

A iniciativa ainda tem o apoio de profissionais treinados em liderança participativa, que incentivarão os participantes a realizar ações para um projeto voluntário, de acordo com sua expertise, de forma que deixem um legado para o local estudado.

O programa abordará temas como o uso da terra, história, geografia e biodiversidade da Amazônia, mudanças climáticas, por meio de atividades diversas como estudos de caso e desenvolvimento de projetos práticos. Também estão incluídos momentos de lazer (e aprendizado) como nado com golfinhos, caminhadas em trilhas e observação de aves.

E toda essa programação está dividido em cinco módulos:
1. Amor à natureza: visitas às organizações e centros de pesquisa da Amazônia;
2. Cuidado com as pessoas: visa à troca direta com as comunidades locais;
3. Saber-Como: aulas com profissionais e líderes de diferentes setores;
4. Coragem: os participantes serão convidados a colocar o aprendizado em prática; e
5. Conheça a si mesmo: os participantes serão estimulados a praticar o autoconhecimento e a identificar seu papel na sociedade.

No final, o participante estará apto a lidar com conceitos globais de sustentabilidade, de sua história aos desafios globais. Além disso, se apropriará de informações únicas sobre a realidade amazônica e desenvolverá competências para compará-la a outros cenários e planejar ações de liderança.

Os especialistas do mundo e da comunidade

Entre os orientadores desta jornada, estarão:
Thomas Lovejoy, membro sênior da Fundação das Nações Unidas (UNF) e professor universitário no departamento de Ciências Ambientais e Política da Universidade George Mason;
Raquel Rosenberg, co-fundadora da ONG Engajamundo, focada no empoderamento de jovens brasileiros para que entendam as mudanças climáticas e influenciem no processo político internacional. Participou de várias COPs, as conferências da ONU sobre mudanças climáticas. Escrevi sobre seu discurso lindo e emocionante na COP21;
Karina Miotto, jornalista ambiental, educadora e organizadora TEDx, viveu cinco anos na Amazônia, trabalhando para ONGs nacionais e internacionais. Criou o projeto Reconexão Amazônia para sensibilizar as pessoas sobre a floresta e, este ano, cursa mestrado em Ciência Holística no Schumacher College. Escrevi sobre ela, aqui no Conexão: Tudo pela Amazônia;
– Cesar Matsumoto, consultor em inovação social e desenvolvimento humano, é cofundador da Escola de Diálogo e facilitador da Escola de Design Thinking para o tema ‘propósito e consciência’; e
Roberto Mendonça, líder da comunidade Tumbira também é figura de destaque na programação. Ele, que esteve presente na primeira edição, contará sua história que inclui o envolvimento com extração de madeira desfeito com o trabalho de educação e sensibilização da FAS. Hoje, ele atua com base na lógica do negócio sustentável.

“A Escola de Verão Amazônia não é uma viagem de férias. O conhecimento que lá se obtém, só poderia ser alcançado com essa vivência”, salienta Vianna.

Como foi a 1ª. edição

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Em 2014, o primeiro curso da Escola de Verão reuniu 13 alunos de oito países por 15 dias (este ano, o curso ganhou mais seis dias). Veja o que disseram alunos e membros da comunidade de Tumbira:

“Eu sempre me interessei pelas temáticas ambientais. Mas, com esta experiência, percebi como a Índia e o Brasil são parecidos, principalmente no desafio de tornar eficazes suas leis ambientais. Agora, uso minhas habilidades de pesquisa para alcançar as melhores respostas no meu país e me engajar na proteção ambiental. Tanto que decidi cursar Mestrado em Direito sobre Gestão Ambiental e Recursos Naturais na escola de direito Lewis & Clark” –
Harsh Vardhan Bhati, Índia

“A bagagem de conhecimento que adquiri com este curso possibilita que eu trabalhe a sustentabilidade à minha maneira. Tenho convicção de que o mundo precisa de líderes capazes de atuar em realidades de várias polarizações. Sinto-me feliz por chegar a tal certeza tão precocemente” – José Botelho, 20 anos, Belo Horizonte/MG

“Participar deste projeto é fundamental para a autoestima da comunidade. Além de poder viajar sem sair de casa, nos sentimos valorizados e percebemos quanto de conhecimento temos para passar ao mundo. Neste projeto, somos alunos e professores” – Roberto Mendonça, da comunidade Tumbira

A iniciativa ainda conta com a experiência de Valdemir Kambeba, cacique dos Kambeba, etnia moradora da comunidade Três Unidos.

E também há benefícios não definidos pelo curso nem tão óbvios à organização, que acontecem naturalmente pelo contato direto entre participantes e moradores locais. Um dos exemplos é a jovem de 18 anos, Odenilze Souza Ramos, da comunidade Carão. Na primeira edição, ela aprendeu a fotografar com um dos alunos. Adorou a experiência e, desde então, se dedica à fotografia de natureza. Hoje, além de fotógrafa de sua comunidade, integra o projeto Repórter da Floresta da FAS, que incentiva jovens a compartilhar seu dia-a-dia e histórias da comunidade por meio de um programa de rádio.

Para saber mais

Ficou interessado, mas quer mais informações e fazer perguntas? É só escrever para o e-mail da Escola de Verão ou fazer contato pelo Skype – amazon.summer.school – ou pelo telefone (11) 4506-2900.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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