Epidemia de sarampo ameaça vida de índios Yanomami em tribos isoladas


Epidemia de sarampo ameaça vida de índios Yanomami em tribos isoladas

Apesar da Organização Mundial de Saúde (OMS) ter declarado os países americanos livres de sarampo, em 2016, surtos têm sido detectados em diversos lugares. Infelizmente, um movimento anti-vacinação tem contribuído para a volta da doença, que pode ser fatal.

E agora, a organização internacional Survival alerta que centenas de índios brasileiros da tribo Yanomami, que vivem em áreas isoladas em Alto Orinoco, na fronteira com a Venezuela, podem morrer por causa de uma epidemia de sarampo que está ocorrendo na região.

Além de não terem sido imunizados contra esta e outras doenças, indígenas são mais suscetíveis a contrair vírus e outras moléstias, pois não têm o sistema imune com resistência para combatê-las.

Segundo a ONG, o sarampo pode ter chegado até o local trazido por mineradores de ouro. Mais de 20 índios já teriam sido atendidos em um hospital de Boa Vista, Roraima, com os sintomas da doença, mas a Survival afirma que muitos vivem em tribos remotas e não têm acesso ao serviço público de saúde, por isso, ações governamentais urgentes devem ser tomadas.

“Quando indígenas pegam doenças como sarampo ou até mesmo, um simples resfriado, que talvez nunca tenham tido antes, muitos deles morrem e populações inteiras podem ser dizimadas”, ressaltou Stephen Corry, diretor da ONG Survival. “Essas tribos são as mais vulneráveis do planeta. Auxílio médico imediato é a única saída para que essas comunidades não sejam devastadas”.

De acordo com outra organização não-governamental venezuelana Wataniba, desde março já há casos de sarampo entre os indígenas no país vizinho.

Na década de 60, outro surto da mesma moléstia tirou a vida de diversos índios Yanomami na região.

Um informe da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) revelou, recentemente, que a Venezuela é o país da América Latina onde o maior números de casos da doença foi confirmado até o momento.

O governo brasileiro culpou a chegada de refugiados venezuelanos como responsável pela epidemia de sarampo, mas especialistas apontam que a causa mais provável é a redução da área de cobertura das campanhas de vacinação.

Vacinação: a prevenção mais segura contra o sarampo

O sarampo uma doença aguda, altamente contagiosa, causado por um vírus. Se não for diagnosticada e tratada corretamente, pode se tornar grave e evoluir com complicações eventualmente fatais, principalmente em crianças menores de um ano de idade e adultos.

Os principais sintomas são febre, erupções cutâneas com início na face e atrás do pescoço, tosse seca, coriza e conjuntivite.

A transmissão é diretamente de pessoa a pessoa, por meio das secreções nasofaríngeas expelida pelo doente ao tossir, respirar, falar ou respirar. O período de incubação médio, ou seja, o tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas, é de 10 dias, variando de sete a 18 dias. O período de transmissibilidade acontece de quatro a seis dias antes e após o aparecimento das erupções. A maior transmissibilidade ocorre dois dias antes e depois do início da erupção.

A vacina contra o sarampo é a única medida preventiva e a mais segura.

*Fonte: Sociedade Brasileira de Infectologia

Fotos: divulgação ©Fiona Watson/Survival (abertura) e ©Wataniba

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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