Epidemia de coronavírus faz com que China proíba consumo de animais selvagens

Surto de coronavírus faz com que China proíba venda e consumo de carnes de animais exóticos

Enquanto médicos, pesquisadores e cientistas do mundo inteiro tentam entender ainda como começou a transmissão do novo coronavírus (COVID-19) e correm contra o tempo para encontrar uma vacina para controlar a doença, que já se espalhou pelo mundo inteiro e provocou milhares de mortes, a China decidiu acabar com hábito milenar (e polêmico) de seu povo: o consumo de animais selvagens.

No começo de janeiro, o governo do país já havia declarado a suspensão da comercialização desses produtos, mas agora decidiu proibir totalmente. A decisão inclui a caça, o comércio, o transporte e o consumo de todos os animais selvagens terrestres, criados em cativeiro ou capturados.

Entre as espécies que costumavam aparecer nos pratos dos chineses estavam burros, cachorros, veados, além de pangolins, um mamífero que tem o corpo recoberto por escamas.

Alguns especialistas suspeitam, mas não há confirmação científica ainda, que o novo coronavírus pode ter sido transmitido de animais para humanos. Os primeiros casos da doença começaram justamente com pessoas que frequentavam um mercado de Wuhan, na província de Hubei, onde eram vendidos animais vivos.

“Há uma preocupação crescente entre as pessoas sobre o consumo de animais selvagens e os perigos ocultos que isso traz à segurança da saúde pública desde o novo surto da doença por coronavírus (COVID-19)”, afirmou Zhang Tiewei, porta-voz dos Assuntos Legislativos da China.

Entidades de conservação ambiental celebraram o anúncio da proibição. Todavia, enfatizaram que o uso desses animais para a extração de sua pele e na fabricação de remédios utilizados na medicina tradicional chinesa ainda continua liberado.

“Não existe comércio e consumo livre de risco de mamíferos e aves selvagens, sejam eles capturados ou criados na natureza. A Wildlife Conservation Society acredita que somente ao proibir o comércio de aves e mamíferos selvagens, o risco de futuras emergências virais pode ser evitado e, portanto, outras formas de comércio também devem ser incluídas nessa proibição”, declarou a organização internacional.

*Com informações da Agência de Notícias Reuters

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Foto: Natalie Ng on unsplash/creative commons

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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