Entra em operação projeto ambicioso de limpeza do lixo do Pacífico criado por jovem de 18 anos


Entra em operação projeto ambicioso de limpeza do lixo do Pacífico

Há cinco anos, Boyan Slat se tornou uma estrela mundial. Apareceu em programas de televisão e nas capas das principais revistas internacionais. O jovem holandês, então com 18 anos, desenvolveu um projeto audacioso para coletar lixo dos oceanos. A ideia surgiu depois de uma viagem de férias à Grécia, onde ficou chocando com a quantidade de plástico despejada na água.

O objetivo de Slat era tirar os resíduos das cinco gigantes ilhas de plástico que se formaram nos oceanos. Chamadas de vortexes, elas se movem lentamente, em redemoinhos, devido às correntes oceânicas.

Estudo recentes revelam que cerca de 5 trilhões de resíduos plásticos, pesando mais de 250 mil toneladas, boiam pelos mares do planeta. Apesar de grande parte estar nos vortexes, uma parcela significativa deste lixo é levada para a costa ou digerida por animais marinhos, que acabam morrendo sufocados por esses dejetos.

No último sábado, depois de cinco anos de muitos testes (273 modelos), seis protótipos e um investimento de US$ 20 milhões feito por empresas privadas e pelo próprio governo da Holanda, foi dada a largada para o projeto da The Ocean Cleanup, a organização sem fins lucrativos fundada por Slat.

O lançamento da plataforma de limpeza System 001 aconteceu em São Francisco, nos Estados Unidos. Seu apelido, entretanto, é Wilson, uma referência à bola de volleyball do personagem Tom Hanks, no filme “Náufrago”. Da costa americana, a barreira seguirá para o vortex do Pacífico, considerado o maior de todos, onde passará por duas semanas de testes operacionais.

Como funciona? 

A “engenhoca” criada pelo garoto inventor, hoje um engenheiro aeroespacial com 24 anos, é simples. Ele sabia que a utilização de barcos com redes de coleta seria muito cara, levaria muito tempo e exigiria mão-de-obra intensa. Por isso, desenhou um sistema “passivo” de coleta do lixo, movido pelas correntes marítimas, exatamente como acontece com o plástico.

O lixo plástico vai ficando preso dentro da barreira em forma de U

O sistema consiste de uma grande barreira flutuante, em forma de U, de 600 metros de comprimento, que fica boiando sobre a superfície e possui uma tela submersa, de 3 metros de profundidade, que evita que o plástico se disperse, além de recolher dejetos com diâmetro menor do que 1 cm e redes de pescas, que acabam afundando no mar.

A barreira é movida por forças naturais – vento, ondas e correntes marítimas. A cada seis semanas, um barco recolhe o lixo plástico acumulado ali para reciclagem.

Todo o sistema da plataforma funciona com energia solar e é monitorado por sinal de satélite. Sinais luminosos evitam qualquer colisão com navios.

A estimativa é que o sistema colete cinco toneladas de resíduos por mês. A longo prazo, a meta é recolher 50% do lixo do vortex do Pacífico até 2023.

Slat, ao centro, explicando como o sistema funciona

Desde 2013, a ideia visionária do jovem holandês já rendeu a Slat diversos prêmios e reconhecimentos, dentre eles, Champion of the Earth e Young Entrepreneur Award.

Alguns especialistas duvidam da eficiência da plataforma e ambientalistas se mostram receosos sobre o impacto dela sobre a vida marinha, caso animais fiquem presos na tela submersa. A The Ocean Clean Up garante que peixes e outras espécies conseguirão nadar abaixo da tela, sem ficarem enroscados nela.

Fotos: divulgação The Ocean Cleanup

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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