Entra em operação a primeira usina solar flutuante do Brasil

Entra em operação a primeira usina solar flutuante do Brasil

A energia solar, aquela gerada a partir da luz do sol, ainda representa uma pequena porcentagem da matriz elétrica brasileira. Em julho de 2019, ela tinha 1,2% de participação, em contrapartida a 8,5% da biomassa, 8,7% da eólica e 61% da hidrelétrica, esta última a principal fonte de energia do país.

Apesar de ainda abocanhar uma tímida fatia do mercado, a capacidade solar do Brasil é gigantesca. Ontem (05/08) entrou em operação um projeto inédito para avaliar o potencial e os benefícios da produção de energia solar em plataformas flutuantes.

Sobre a água do reservatório da Usina Hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) instalou uma usina fotovoltaica, com 3.792 módulos de placas solares, em uma área total de 11 mil m². A potência de geração inicial da planta é de 1 MWp (megawatt-pico).

A plataforma flutuante foi fixada ao fundo do lago por cabos e utiliza a mesma infraestrutura da usina hidrelétrica para levar a energia até a rede de distribuição.

Caso o projeto se revele bem sucedido, a ideia é aproveitar a superfície de outras barragens do país – e talvez rios e lagos -, para a instalação de mais usinas solares flutuantes.

Na próxima fase do projeto na Bahia, será instalada uma nova plataforma em Sobradinho e a capacidade instalada irá aumentar para 2,5 MWp.

Os engenheiros da Chesf ressaltam que um dos benefícios da usina flutuante sobre aquela construída em solo é que se evita a desapropriação de terras. Durante todo o projeto será analisado se haverá algum tipo de impacto ambiental sobre a água do reservatório.

Energia solar: mercados nacional e global

A capacidade de energia solar instalada no Brasil no ano passado totalizava 2,4 GW (gigawat) – 1,2 GW desse montante foi adicionado em 2018.

Todavia, esse número ainda é muito baixo perto do mercado global. A China, 1º lugar no ranking internacional, investiu 45 GW no mesmo período, enquanto a Índia, que aparece em segundo lugar na lista, acrescentou 10,8 GW à sua capacidade de geração fotovoltaica.

Dentro do Brasil, o que cresce é o sistema de microgeração e minigeração distribuída solar em casas, empresas, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos.

No começo de agosto, juntos eles atingiram a marca histórica de 1 GW de potência instalada. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), atualmente o Brasil possui 93.597 sistemas solares fotovoltaicos conectados à rede, somando mais de R$ 5,6 bilhões em investimentos acumulados desde 2012, distribuídos ao redor de todas as regiões do país.

Dados e gráficos: Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica

*Com informações da Agência Brasil

Leia também:
Disney constrói usina solar gigantesca para reduzir emissões em 50% até 2020
Notre-Dame ganha projeto de reconstrução com horta e geração de energia solar no telhado
Novos prédios e casas de Nova York serão obrigados a ter telhado verde ou painéis solares
Trem movido a energia solar conectará Argentina, Bolívia e Peru, chegando até Machu Picchu

Foto: Saulo Cruz/Agência Brasil

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta