Enfim, o outono chegou!

folhas de outono

O verão acabou. Para a lavoura, chegaram as férias! Para a horta, momento de colheita e replantio. E para o jardim, a hora de descanso.

Na Terra o sol passa unânime, regendo a luz dos nossos dias. O outono começa  trazendo novos nuances de luz e sombra. Esta é a estação dos fotógrafos e das frutas suculentas. O pôr do sol se veste de cores dramáticas e o chamado noturno do lar chega mais cedo: o aconchego da casa, o alimento quente e reconfortante repõem a energia dos dias volúveis.

Este é o momento de transição entre o verão e o inverno. É a época do ano em que as sementes adormecidas pelo calor despertam trazendo novas plantas ao jardim, momento de abundância e colheita, hora de escolher os melhores frutos para semear e plantar aquilo que vamos comer na primavera e no próximo verão. Dentro da mente humana, hora de planejar um futuro melhor…

Abobrinhas, tomates, quiabos, brócolis, berinjelas, ervas aromáticas, milho. Tudo parece surgir ao mesmo tempo nesta estação. As chuvas e o sol do verão fizeram sua parte.

É chegada também a fase da rotação dos cultivos, da retirada de plantas velhas e de deitar novas sementes. Porém, ao invés  de ter um canteiro vazio, teremos um pouco de caos, na desordem entre plantas perenes e outras que cumpriram o seu tempo.

Sempre expliquei aos meus alunos que este momento na horta equivale àquele de trocar os dentes de leite. Ficam uns pequenos ao lado de outros grandões. Assim poderemos praticar a tolerância, aceitar as diferenças entre cultivares.

No antigo pé de alface, que por estas horas já deu seu pendão de flor, cresce o novo pé de ervilha, agarrando-se com suas gavinhas e na medida em que ficar pesado, as sementes da alface já estarão prontas para semear.

O tomate-cereja, finalmente vestido de vermelho, nos rende lindos presentes todas as manhãs. Já não gosta de água fria e vai perdendo algumas folhas, preparando-se para a nova estação, justamente quando o pé de manjericão resolve dar-lhe proteção. Dizem que o frio aproxima os casais, da mesma maneira, na horta estes podem ser de diferentes espécies. A parceria  entre cultivos ajuda muito e  torna a colheita  mais colorida.

O pé de abobrinha reluta em sair de seu canteiro, já não se sente disposto a estender seus ramos, melhor agarrar-se a um pé de milho ou de girassol. A abóbora cresce a cada semana e suas imensas flores atraem  novos insetos todos os dias. A horta, que antes parecia despovoada, alberga todo tipo de  bicho. Até as borboletas voltaram! Pobres pés de couve, devorados serão se não cuidados!

Enfim, podemos cultivar em horas mais frescas, e as flores colher para o altar. A Semana Santa marca a data de plantar alhos, adubar bastante os canteiros e distribuir seus bulbos para o jardim defender. Plantá-los ao lado das couves, tomates e cenouras é muito bom para repelir pragas do jardim. Semear cebolinha, salsa e rúcula para logo, logo colher.

Nesta época do ano, as folhagens ficam mais bonitas por causa da estação chuvosa que terminou. Novos brotos surgirão nas palmeiras e plantas de interior.

Em muito lugares do Brasil, outono também é sinônimo de estiagem.. Para quem vive em regiões secas, é bom lembrar que as plantas precisarão de um pouco mais de água pra garantir a hidratação. Melhor regar mais de uma vez na semana, do que muita água de uma só vez.

Para quem mora no Sul, o frio começa a chegar. São dias de sol quente e noites frias. Pela manhã, o orvalho cobre tudo. Dentro de casa, pode ocorrar o efeito estufa. Muito cuidado com as plantas delicadas, musgos e orquídeas. Água fria só nas raízes. Vento frio?! Nem pensar! O choque térmico só favorece a quebra da dormência das sementes e plantas  do inverno. Proteja suas plantas das bruscas mudanças de temperatura. Assim como o frio resseca a nossa pele, também pode queimar as folhas.

Nas varandas, as frutíferas florescerão, principalmente os pés de limão. Preste atenção! Hora da hidratação. Se ainda não adubou, esta é uma boa hora para fazê-lo. E que sua colheita seja tão exuberante quanto as cores do outono.

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Fotos: domínio público/pixabay

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Liliana Allodi

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

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