Empresas que não agirem contra a crise climática poderão ser retiradas da Bolsa de Valores, propõe partido inglês

Empresas que não agirem contra crise climática poderão ser retiradas da Bolsa de Valores, propõe partido inglês

A poucos menos de um mês de novas eleições gerais no Reino Unido, o Labour Party, o Partido dos Trabalhadores britânico, anunciou que, se eleito, irá retirar da Bolsa de Valores de Londres as companhias que não tomarem medidas efetivas para combater a crise climática.

“Se pretendemos cumprir a meta climática para manter o aquecimento global a apenas 1,5oC acima dos níveis pré-industriais, precisamos garantir que as empresas estejam se esforçando ao lado do governo”, declarou John McDonnell, um dos principais nomes do partido de oposição, que terá como candidato Jeremy Corbin (atualmente quem está no comando é Boris Johnson, do Partido Conservador, conhecido como Tory).

Ainda segundo McDonnell, mudar as regras da economia em prol da proteção do clima do planeta será uma das primeiras ações de um possível novo governo e isso beneficiaria não apenas o meio ambiente, mas os trabalhadores.

“Lidar com a ameaça existencial das mudanças climáticas é a principal prioridade do Labour quando entrarmos no governo”, garantiu o político inglês.

McDonnell ressaltou que atualmente, muitos órgãos setoriais já exigem das empresas relatórios financeiros relacionados ao clima e seus planos de descarbonização (em setembro, mostramos aqui, que 230 investidores de fundos no valor de U$$16,2 trilhões cobraram ações de empresas contra o desmatamento na Amazônia).

Há poucos dias, o parlamento alemão decidiu que ‘proteger o clima’ é obrigação legal do país. Mesmo sob protestos de partidos de oposição, a decisão ainda contempla aprovação de parte do pacote climático sugerido em setembro e atinge especialmente setores como transporte, energia e habitação (leia mais aqui).

O plano de governo proposto pelo partido britânico estabelece também que as companhias deverão definir sua política para lidar com as disparidades salariais entre homens e mulheres e diferentes grupos étnicos.

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Imagem: domino público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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