Empresa de cosméticos faz campanha (divertida) contra uso excessivo de embalagens

campanha da Lush contra desperdício de embalagens

Já virou um ato tão automático na nossa vida, que nem percebemos mais a quantidade inacreditável de resíduos que geramos diariamente. Afinal, quando a gente abre a embalagem do creme, pasta de dente e sabonete, basta jogar fora, certo? E quando o xampu acaba? Coloca o frasco na lata de lixo. Simples, assim!

Mas infelizmente, não é simples assim. Um estudo internacional divulgado no começo deste ano revelou que atualmente apenas 14% das embalagens plásticas utilizadas pela indústria são recicladas e que 30% das embalagens usadas hoje – o equivalente a 10 bilhões de sacos de lixos por ano! -, precisam passar por um processo de inovação e redesign, pois simplesmente não há como reciclá-las.

Para diminuir seu impacto ambiental, o que algumas empresas pioneiras do setor de cosméticos fazem é oferecer produtos pelados. O termo engraçado significa que as mercadorias não possuem embalagem. Um exemplo, por exemplo, é a britânica Lush, que há mais de 20 anos tem nas suas lojas cosméticos pelados: sabonetes, xampus, condicionadores e desodorantes sólidos, máscaras faciais, sais de banho, dentre outros.

E para estimular ainda mais o uso de cosméticos sem embalagens, a Lush Brasil lançou agora, em fevereiro, a campanha #VerãoPelado – sem rótulos e sem embalagens. Com muito bom humor – e despudor – a marca está fazendo várias ações em suas lojas, entre elas, vendedores vestindo nada além de um avental preto com os dizeres: “Pergunte-me por que estou pelado”.

Nudez para chamar a atenção dos consumidores

O objetivo da campanha é alertar os consumidores sobre o uso excessivo e dispensável de embalagens. Durante o Carnaval, a marca também estará presente em blocos de rua com seus funcionários “quase pelados” (mas por uma boa causa, lógico!).

“Embalagem é lixo e nós as usamos excessivamente por muito tempo. Agora que os verdadeiros custos financeiros eEmpresa de cosméticos faz campanha contra uso excessivo de embalagens ambientais disso tornam-se óbvios, os consumidores estão desafiando fabricantes e varejistas a cortá-las. Empresas como a nossa precisam ser criativas e oferecer inovações visando à compra de produtos verdadeiramente pelados””, diz Mark Constantine, cofundador da Lush.

Segundo a empresa, todos seus produtos utilizam ingredientes naturais e orgânicos, obtidos por comércio justo, ou seja, que respeita e remunera adequadamente os fornecedores. Isso significa, entretanto, que os cosméticos da marca, apesar de não terem embalagem, não são baratos.

Todavia, ainda de acordo com a Lush, uma barra de xampu, feita com óleos essenciais, dura até 80 lavagens, cerca de três vezes mais que um frasco de shampoo líquido.

Números do desperdício

Estima-se que, de janeiro de 2015 a janeiro de 2016, as vendas de xampu sólido, no mundo todo, evitaram a produção de mais de 15 milhões de frascos plásticos. Infelizmente, este tipo de produto ainda representa uma fatia muito pequena do segmento como um todo.

Apenas o mercado global de xampu e condicionador movimenta quase US$ 35 bilhões anualmente. Grande parte destas embalagens acaba indo parar em aterros sanitários ou, pior ainda, nos oceanos, provocando um desastroso impacto ambiental.

O volume de resíduos plásticos jogado no mar já é tão grande, que há imensas ilhas de detritos e micropartículas plásticas boiando pelos oceanos dos cinco continentes. Aves, peixes e outros animais marinhos ficam confusos e ingerem o plástico pensando ser alimento, o que além de causar mortes, também contamina o que chega ao nosso prato.

A cada ano, a produção de plástico aumenta no mundo. Em 1964, eram 15 milhões de toneladas. Em 2014, este número pulou para 311 milhões de toneladas.

Um estudo publicado, no ano passado, pela coalização New Plastics Economy alertava que, se nada fosse feito pelas indústrias de bens de consumo, poderá haver mais plástico do que peixes nos oceanos até 2050.

A boa notícia, que divulgamos aqui no Conexão Planeta em janeiro, é que 40 das maiores empresas multinacionais de bens de consumo e alimentos, como Unilever, Proctor and Gamble, Coca-Cola e Danone, assinaram um compromisso para reciclagem de 70% das embalagens plásticas (leia mais sobre o assunto neste outro post).

Agora é esperar – e cobrar – para ver!

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Fotos: divulgação Lush Brasil/Clube Lambada

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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